Sul pede redução do preço do gás boliviano
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de março de 2003
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba Os três governadores do PMDB na região Sul foram ontem a Brasília pedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interceda, junto à Petrobras e ao governo boliviano, para baixar o custo do gás natural importado da Bolívia, cobrado em dólar. Roberto Requião, do Paraná, Germano Rigotto, do Rio Grande do Sul, e Luiz Henrique da Silveira, de Santa Catarina, consideram inviável o alto custo do produto, que subiu impulsionado pelo dólar.
De acordo com a assessoria de Comunicação do Palácio Iguaçu, Lula teria dito aos governadores que não pretende reajustar o preço do gás natural. Até o início da noite, a reunião não havia terminado. O que está em jogo é a competitividade das empresas locais. Elas estão perdendo terreno para empresas do eixo Rio-São Paulo e até do Nordeste, que compram gás natural nacional, em média 50% mais barato que o boliviano.
Os Estados do Sul não têm acesso ao gás nacional, o que os faz reféns dos preços bolivianos, porque não têm amparo legal. De acordo com o departamento de Planejamento da Compagas, a empresa estadual que fornece gás natural, o Estado paga hoje R$ 11,40 (ou US$ 3,34) por 27 metros cúbicos de gás. Esse valor já inclui o transporte do produto. Em 1996, quando foi fechado o contrato com a Petrobras, a relação entre a moeda norte-americana e o real era de um para um, o que garantia preços menores. ''O aumento no preço desde 1996 foi de 280%'', calculou Alexandre Haag, assessor de Planejamento da Compagas.
A compra do gás natural era vantajosa por ser uma alternativa energética barata. No entanto, nos últimos dois anos, o preço do produto subiu 93%, enquanto o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) subiu apenas 28%.
No caso do Paraná, os setores que perdem com o alto custo do gás são as empresas de cerâmica branca e as empresas de ponta, que optam pelo gás por ele ser um combustível menos poluente. A Compagas fornece ainda o Gás Natural Veicular, o GNV, que abastece carros. A empresa, que basicamente fornece o produto para municípios da Região Metropolitana de Curitiba e Ponta Grossa, está começando a ampliar a distribuição para residências.
Na opinião do diretor-presidente da Compagas, Rubico Camargo, os três Estados do Sul devem lutar juntos pela revisão do contrato com a Petrobras. ''A maior preocupação da Compagas é que as empresas tenham que voltar a utilizar os combustíveis que estavam sendo usados antes da opção do gás natural'', disse.
O gás natural é utilizado em automóveis, indústrias, comércio e residências. Tem vantagens sobre o gás liquefeito de petróleo (GLP), que ainda representa a maior parte do produto consumido. Como não é derivado do petróleo, o gás natural tem menor preço e emite menos poluentes.


