Apesar da situação tranquila na região Sul, com sobras na produção de energia elétrica, o Paraná não está imune a um regime de racionamento de energia elétrica que ameaça o País. Essa situação só vai ocorrer, caso o fluxo de chuvas fique mais escasso nos meses de abril e maio como normalmente ocorre, avisou o superintendente de Planejamento e Comercialização de Energia da Copel, Luiz Hamilton Moreira.
Hamilton admitiu que é difícil explicar para a população que pode faltar energia na região Sul do País, que não está com problemas de falta de chuvas e os reservatórios de água para produção de energia estão praticamente transbordando. Acontece que o sistema de energia no País é interligado e quando há falta em alguma região como está acontecendo no Sudeste, outras regiões que estão com sobra têm de socorrer.
Mas enquanto continuar chovendo com abundância nas bacias dos principais rios dos Estados da região Sul, ‘‘podemos continuar tranquilos’’, salientou o diretor de Marketing da Copel, Lindolfo Zimermann. O sistema elétrico da região Sul (incluindo os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) apresenta disponibilidade de geração de energia de 11,7 mil MW médios, enquanto a demanda é de 8,5 mil MW. Portanto há um excedente de 3,2 mil MW que pode ser enviado para outras regiões do País, sem afetar o abastecimento no Sul.
No Paraná, a Copel gera 3,6 mil MW diários para um consumo de 2,5 mil MW. Além desse excedente de energia, os reservatórios de água nas principais usinas da Copel na bacia do Rio Iguaçu, estão praticamente transbordando. Em Foz do Areia, a maior usina que controla a vazão para as demais usinas, o reservatório está com 98% do volume útil preenchido. A somatória dos reservatórios da região Sul está com 95,2% do volume de água preenchido, enquanto na região Sudeste os reservatórios estão com apenas 34% do volume de água preenchido.
Segundo o ONS é prematuro falar em racionamento. Essa medida só será adotada após um balanço da situação das chuvas no mês de abril. Depois disso, será feito um balanço do volume de água que foi possível armazenar nas usinas do País e das medidas de contenção de energia. Se o saldo não for suficiente para aguentar o período de seca no inverno, certamente o racionamento será adotado, por decreto presidencial e isso poderá envolver todas as regiões do País, afirma a assessoria do ONS. (V.C.)

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