Sul consome abaixo abaixo da média nacional
Curitiba - Quase a totalidade dos perfumes vendidos no Brasil são da indústria nacional. A coordenadora do curso de pós-graduação ''A Cultura do Perfume: Essência e Ciência'', da Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo, informa que 94% das unidades comercializadas no País são fabricadas por aqui. Segundo ela, o predomínio vem das três gigantes do setor, a paulista Natura, a paranaense O Boticário e a multinacional Avon.
Especialistas concordam que mesmo o mercado da beleza indo muito bem, há espaço para crescer mais. A Natura aposta na informação e formação das suas consultoras e clientes para aumentar as vendas. Denise Figueiredo, diretora de unidade de negócios da empresa, mostra um panorama do consumo de perfumes no Brasil. Enquanto 52% das famílias brasileiras compram pelo menos um frasco de perfume por ano, nos três Estados do Sul este índice cai para 33,7%. No Nordeste, o número salta para 89%.
A empresa quis saber o porquê da grande diferença entre o Sul e o Nordeste e descobriu que, por aqui, a colonização européia influenciou a população a adotar uma conduta mais discreta em relação a perfumes. Denise explica que no Nordeste o perfume está incorporado à cultura local, tanto que as pessoas levam pequenos frascos no carro e na bolsa.
Denise acredita que o brasileiro poderá consumir ainda mais do produto quando tiver mais conhecimento sobre perfumaria. Tanto que no ano passado, a empresa promoveu uma série de eventos chamados ''ateliê ofaltivo'' para levar informação para cerca de 150 consultoras. A idéia deu certo. A consultora londrinense Eliete Aurora Lanzoni conta que o curso deu subsídios para atender melhor a clientela e vender mais. ''Eu repasso para as clientes essas informações'', explicou. Dona de uma pronta-entrega da marca, Eliete diz que o carro-chefe são os perfumes.
Na opinião de Marselha Tinelli Gomes, gerente da Categoria de Perfumaria do Boticário, o que mais impulsiona o crescimento acelerado desse setor no País é o fato do brasileiro gostar de perfume e do ato de se perfumar. Para ela, aumentar o conhecimento do produto não irá impulsionar as vendas. ''O consumidor brasileiro já tem por hábito se perfumar, mesmo sem o profundo conhecimento da perfumaria. Isso é explicado pelo fato da compra ser 100% emocional, subjetiva e relacional. Sendo assim, podemos concluir que não é só o conhecimento que leva ao uso'', opina. (A.D.C.)





