A linha de transmissão de energia de Furnas Centrais Elétricas S.A., que liga Foz do Iguaçu a Tijuco Preto, em Mogi das Cruzes (SP), está transmitindo toda a energia produzida pela Itaipu Binacional para a região Sudeste, embora o projeto inicial da maior usina hidrelétrica do mundo determine a destinação de 15% da produção para o Sul do País.
A transferência total é possível graças ao excedente de geração elétrica no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com os reservatórios de suas usinas cheios, os três estados estão dispensando, por enquanto, a fatia da binacional a que teriam direito. A medida possibilita abastecer os estados do Sudeste, poupando as reservas desta região.
O envio de energia da Itaipu Binacional ganhou mais confiabilidade com o funcionamento do último trecho do terceiro linhão (como é chamado o circuito). Este liga a subestação de Itaberá (SP) a Tijuco Preto, tem 320 quilômetros de extensão e entrou em operação no dia 1º deste mês. O intercâmbio permite Furnas enviar 600 megawatts (MW) de energia do Sul para o Sudeste, suficiente para abastecer seis cidades de 350 mil habitantes.
Segundo o gerente de produção de Furnas no Paraná, José Maurício Zaroni, ‘‘a terceira linha permitirá ampliar a importação de energia da Argentina e reforçará o intercâmbio de energia entre as regiões Sudeste e Sul.’’
A entrada em operação dessa nova linha, entretanto, não resultou em aumento do transporte da energia gerada em Itaipu para outras regiões porque o sistema de transmissão tem limitação em Tijuco Preto. A unidade paulista tem capacidade para receber 6,3 mil MW – metade da potência de Itaipu, de 12,6 mil MW.
Mas, por enquanto, nem mesmo os 6,3 mil MW, potência que os três circuitos, juntos, teriam capacidade de transmissão para Tijuco Preto, têm sido enviados para aquela região. Isso porque a subestação de Ivaiporã (noroeste do Paraná) também recebe energia da Copel (Companhia Paranaense de Energia Elétrica), Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul (CEEE), Companhias Elétricas de Santa Catarina (Celesc). Essa energia é enviada ao Sudeste e permite a Itaipu Binacional poupar o seu reservatório.
O racionamento no Sudeste poderia ser amenizado se não fosse um problema no banco de transformadores na subestação de Tijuco Preto. O defeito diminuiu a capacidade de retransmissão da energia recebida pela unidade. Ela poderia receber 6,3 mil MW de Itaipu Binacional, mas está recebendo em média 5.450 MW. O conserto do conversor danificado está previsto somente para agosto. Além do reparo, Furnas pretende aumentar a capacidade de conversão de energia da unidade paulista em 1,5 mil MW, o que possibilitaria converter 7,8 mil MW. Se o governo federal tivesse feito o investimento antes, o racionamento no Sudeste seria menos drástico. (Alexandre Palmar)

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