Suinocultura pode perder R$ 300 mi com aftosa
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sexta-feira, 11 de maio de 2001
Das Agências De Porto Alegre 
A pecuária de corte não é a única prejudicada com a febre aftosa. A presença dos focos no Rio Grande do Sul deve provocar prejuízo de cerca de R$ 300 milhões na cadeia da suinocultura, queda de R$ 32 milhões na renda dos produtores de aves e perdas para os criadores de bois, cujo preço da carcaça caiu de R$ 2,70 para R$ 2,45/kg. Prejuízos devem afetar os outros dois Estados do Sul. Santa Catarina e Paraná terão dificuldade de comercialização.
Os prejuízos atingem mais o Estado de Santa Catarina, que integra o Circuito Pecuário Sul com os gaúchos, mas não registra focos no seu território. A suinocultura catarinense, afetada pela suspensão dos negócios, exporta US$ 200 milhões por ano.
O Rio Grande do Sul enviou ontem ofício ao Ministério da Agricultura solicitando a entrega imediata de mais 10 milhões de doses de vacina para completar a imunização do rebanho. Em Santana do Livramento, onde há um foco, já estava faltando vacina.
Segundo a assessoria da Secretaria da Agricultura, os proprietários dos animais infectados em Santana do Livramento e em Alegrete concordaram em sacrificá-los, mesmo sem receber indenização do governo. A secretaria, contrária ao abate, apenas acompanhará o extermínio, que deve ser feito com injeção letal e não com rifle sanitário.
A secretaria gaúcha reivindica que uma reunião do Circuito Pecuário Sul seja realizada na próxima segunda-feira em Porto Alegre. O governador Olívio Dutra (PT) e o presidente da Assembléia Legislativa, Sérgio Zambiasi (PTB), querem uma audiência com o presidente FHC para tratar do problema da aftosa. Uma comissão de deputados estaduais e de produtores deve acompanhar Olívio na viagem a Brasília.
Acordo para matar Um acordo definiu ontem o sacrifício de animais com sintomas de febre aftosa nos dois focos da doença que foram detectados em Santana do Livramento e Alegrete, no Rio Grande do Sul. Entidades rurais e o governo do Estado acertaram os detalhes da medida esta tarde, na segunda etapa de uma reunião que começou pela manhã - depois de o governo ter concordado com o procedimento restrito a estas ocorrências.
Os proprietários dos animais sacrificados serão indenizados por um fundo de erradicação da aftosa, mantido pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e Sindicato das Indústrias de Carne do Estado (Sicadergs). A Secretaria da Agricultura informou que irá acompanhar o procedimento, sem interferir.
O acordo só valerá para estes dois casos e não servirá de precedente para outras possíveis manifestações de aftosa, ressaltou a Secretaria da Agricultura. Pela manhã, o secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, José Hermeto Hoffmann, havia dito que esperava que o gesto tornasse viável a implantação de um corredor sanitário para escoar a produção primária do Estado.


