Suinocultura fecha semestre em crise
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de julho de 2012
Mariana Fabre <br>Reportagem Local 
O mês de junho registrou a menor quantidade de carne suína exportada pelo Brasil desde fevereiro deste ano. O volume de 43,9 milhões de toneladas é 17,7% menor do que o exportado em maio (53,4 milhões t) e 16,76% inferior ao comercializado em junho de 2011 (52,7 milhões t). Na avaliação da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), as restrições impostas pela Rússia e Argentina são as principais responsáveis pelos números negativos do setor.
Em relação ao valor movimentado, a redução é ainda mais expressiva. No mês de junho, as exportações brasileiras de carne suína somaram US$ 108,3 milhões, o que equivale a uma diminuição de 21,6% em comparação a maio (US$ 138,3 milhões) e de 28,75% no comparativo com junho do ano passado. No acumulado do primeiro semestre, o volume exportado somou aumento de 0,72%, enquanto a receita sofreu queda de 6,52%.
O presidente da Abipecs, Pedro Camargo Neto, lamenta que o embargo russo aos frigoríficos do Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso ainda não tenha sido solucionado pelo governo brasileiro. ''Acho que não deve demorar muito tempo para o fim do embargo, afinal, já faz um ano. Mas a cada dia em que a exportação não é liberada, perdemos mais'', critica. Em relação à Argentina, Camargo Neto avalia que as negociações já foram finalizadas e o comércio deve ser reiniciado em breve. O presidente da Abipecs ainda aponta a necessidade de o País ampliar a relação comercial com Japão, Coreia do Sul e China e equilibrar a relação entre oferta e demanda no mercado interno, em que o consumo é reduzido.
No próximo dia 12, a Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) vai promover um movimento público no Senado Federal pedindo ações para por fim à crise na suinocultura brasileira. O protesto incluirá audiência pública na Comissão de Agricultura do Senado, caminhada dos produtores entre o Congresso Nacional e o Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa), churrasco de carne suína na Esplanada e encontro com o ministro Mendes Ribeiro. Entre as dificuldades a serem apresentadas pela Abipecs estão problemas com tributos, logística, preços de insumos e mão de obra, além do impasse junto aos mercados externos.
O Mapa informou que os três senadores russos que estavam no Brasil no início da semana se comprometeram a levar as reivindicações brasileiras ao novo ministro da Agricultura da Rússia, Nikolai Fyodorov, para reverter o embargo às carnes brasileiras em breve. Os representantes russos alegaram que o embargo foi causado pela divergência em relação a alguns requerimentos, mas que uma nova missão das autoridades sanitárias do país do leste europeu deve solucionar o impasse. O Mapa ainda não tem a confirmação da data e dos locais a serem visitados pelos técnicos russos e afirma que está no aguardo de um posicionamento sobre os documentos enviados para definir a equidade de procedimentos.
Mercados
Dados da Abipecs mostram que as vendas de carne suína para a Rússia caíram 52,87% em volume e 57,91% em receita em junho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já as exportações para a Argentina apresentaram uma retração de 71,19% em toneladas e de 73,5% em valor. A Ucrânia, por outro lado, assumiu a liderança entre os importadores de carne suína brasileira, com 11.938 toneladas vendidas em junho. Na sequência aparecem Rússia (11.623 t), Hong Kong (7.313 t), Angola (3.539 t) e Singapura (2.244 t).


