Suinocultura espera um bom ano novo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Mariana Fabre <br> <br> Reportagem Local 
Apesar de vivenciar um cenário conturbado em 2011, a suinocultura brasileira fecha o ano com aumento de produção e expectativas positivas para 2012. O levantamento da Associação Brasileira das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Carne Suína (Abipecs) aponta produção de 3,50 milhões de toneladas, um crescimento de 4,9% em comparação a 2010.
De acordo com o diretor executivo da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Fabiano Coser, o aumento da produção é consequência do incremento na produtividade, que, por sua vez, é resultado do investimento em tecnologia empregado pelos produtores. ''Há 10 anos, a produtividade era o desmame de 24 leitões por matriz. Este ano, o índice de desmama foi de 32,2 por matriz, o que mostra essa maior eficiência do setor produtivo'', afirma. A oferta para abate aumentou 5,5%, passando de 34,3 milhões de cabeças para 36,2 milhões.
A avaliação da Abipecs é de que a pressão da oferta gerou instabilidade dos preços em todos os segmentos da cadeia produtiva e que a valorização das commodities resultou em custos mais altos de produção. Cenário que reduziu as margens de comercialização do suinocultor. Coser lembra que 2010 foi um ano positivo para o setor, com preços altos ao produtor e custos baixos de produção. No entanto, em 2011, o milho, um dos principais componentes da ração, quase dobrou de valor. ''Os preços da carne de suíno melhoraram um pouco no segundo semestre, mas não o suficiente para garantir boa rentabilidade'', avalia.
Segundo Coser, o embargo russo aos 85 frigoríficos nacionais causou grande impacto na cadeia produtiva, tendo em vista que o país do leste europeu era o principal destino da carne suína brasileira desde 2003. ''Na época, os preços caíram drasticamente com a especulação, mas com o tempo o mercado se recuperou'', conta. Ele argumenta que o aumento de vendas para a Ucrânia e Hong Kong e o crescimento do consumo interno garantiram a sustentabilidade do setor no País. ''Vimos que é possível sobreviver sem a Rússia'', comenta.
Em 2011, o mercado interno absorveu 84,7% da oferta, diante dos 83% consumidos em 2010. Como consequência do embargo, a disponibilidade interna cresceu 6,7%, igualando-se ao potencial de consumo, estimado em 15 kg per capita. O balanço da Abipecs aponta que os brasileiros consumiram mais 180 mil toneladas de carne suína em 2011 e que os estoques chegaram ao final do ano em nível abaixo do normal.
Até outubro deste ano, Hong Kong importou 107,50 mil toneladas de carne suína brasileira, um incremento de 32,42% em relação ao mesmo período de 2010. Com isso, a previsão da Abipecs é de que as exportações para Hong Kong e China devem ultrapassar, em 2012, as destinadas à Rússia, que ainda é o principal mercado do Brasil. Em outubro, as vendas para o mercado russo caíram 83,77% em comparação a outubro de 2010.
O diretor executivo da ABCS revela que os desafios buscados pelo setor são a diversificação dos mercados consumidores internacionais e o incentivo ao consumo interno de carne suína. No dia 24 de novembro foi realizado o primeiro embarque para a China e, segundo Coser, as negociações no sentido de iniciar as exportações para o Japão e Coréia em 2012 avançam. A estimativa da Abipecs para 2012 é de que a demanda continue aquecida e de que os preços apresentem recuperação, devolvendo rentabilidade ao setor. Além disso, após a visita da missão veterinária da Rússia ao Brasil, a expectativa é de que o embargo seja reaberto integralmente. ''Com isso, a expectativa é de que o mercado melhore em 2012 e de que a produção continue crescendo na casa dos 3% a 4%'', avalia Coser.



