A crise política na Ucrânia, que acabou por envolver a Rússia, não deverá comprometer as exportações brasileiras de carne suína, na avaliação de Jurandir Machado, diretor de mercado da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). Machado observa que a Rússia tem aumentado a compra da carne brasileira, enquanto a Ucrânia tem reduzido as suas importações desde outubro, antes mesmo do estopim da crise no país.
O especialista explica que essa redução de compra foi uma movimentação natural do mercado e não teve relação com a crise política. Machado ainda destaca que a redução das exportações foi absorvida naturalmente pelo mercado interno. Contudo, há especialistas que estão pessimistas em relação a esses impasses políticos. Rússia e Ucrânia estão entre os principais países compradores do produto brasileiro.
Juliana Pila, analista de mercado da Scot Consultoria, revela que poderá haver sim uma redução nas exportações de carne suína para os dois países devido à crise. A consequência do menor embarque de carne ao exterior, destaca a consultora, é o aumento da oferta no mercado interno e a redução no valor do animal, o que poderá comprometer a renda dos suinocultores brasileiros.
Juliana revela, por exemplo, que o valor da arroba do suíno posto em São Paulo já caiu 21% entre os dias 1 e 28 de fevereiro devido ao aumento da oferta de animais. "Já há uma apreensão por parte do mercado", lamenta a analista da Scot Consultoria. Ela reforça que se continuar essa crise na Ucrânia e na Rússia, a oferta de animais pode aumentar ainda mais no Brasil, forçando os preços para patamares muito baixos.
Além da crise nos dois dos principais países importadores da carne brasileira, Juliana destaca que o consumo da proteína nos primeiros meses do ano normalmente é menor, o que também ajuda a elevar a oferta de animais. Na opinião da especialista, o Brasil precisa conquistar novos mercados para não depender especificamente de um ou dois países para manter o setor em equilíbrio. Para o diretor de mercado da Abipecs, Jurandir Machado, a oferta está abaixo da demanda em relação ao mercado interno. Por isso, assegura ele, o mercado segue equilibrado.
Darci José Backes, presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), afirma que o mercado segue normal. Contudo, ele observa que as indústrias estão utilizando a crise ucraniana para baixar os preços do suíno antes da hora. "Quem vai sair prejudicado com isso é o produtor", protesta o presidente. Para tentar conter a depreciação, Backes orienta os produtores a segurarem as vendas para tentar aumentar o valor da carcaça.

Exportações
Em 2013 o Brasil exportou 513,3 mil toneladas de carne suína, volume 11% inferior em relação a 2012, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em consequência do menor embarque, a receita com as vendas externas no mesmo período caiu 9,1%. A justificativa da queda, segundo especialistas da área, está relacionada diretamente às barreiras fiscais impostas pela Ucrânia, o que resultaram na queda de 50,8% no volume exportado para aquele país. A exportação brasileira de carne suína está concentrada na Rússia, Hong Kong e Ucrânia, que juntos representaram em 2013 63% do volume exportado.
O Paraná é o quinto maior exportador da carne do Brasil. Em 2012 o Estado exportou 54.276.977 quilos de proteína suína. No ano passado as exportações paranaenses foram concentradas em Hong Kong, Uruguai e Cingapura, representando 82,9% do volume embarcado. Os três estados da Região Sul correspondem a 72% das exportações de carne suína. Santa Catarina lidera o ranking com 32,8%, seguido do Rio Grande do Sul com 30,8%.

Imagem ilustrativa da imagem Suinocultura: crise ucraniana gera insegurança no mercado
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