Suinocultura amarga prejuízos de R$ 18 mi
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quinta-feira, 17 de novembro de 2005
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A suinocultura do Norte do Paraná já acumula prejuízos de cerca de R$ 18 milhões, desde que foi feito o anúncio de suspeita de febre aftosa no Estado, em meados de outubro. Para tentar ressarcir as perdas, as associações nacional e estadual dos criadores de suínos devem impetrar ação judicial para conseguir a recuperação dos danos. O assunto será discutido na próxima semana, durante reunião em Curitiba.
O problema na comercialização de suínos está ocorrendo porque São Paulo impôs barreiras sanitárias ao Paraná, impedindo o trânsito de animais vivos, produtos e subprodutos não industrializados. Entre 10 mil e 15 mil suínos vivos por semana eram enviados para São Paulo, um dos maiores mercados consumidores dos suínos paranaenses. Mas, além da perda das vendas, as barreiras ainda contribuíram para uma boa redução de preços.
Há quatro semanas, o quilo do porco vivo era vendido a R$ 2,40 no atacado; agora, a cotação está em R$ 1,80 o quilo. ''Depois da suspeita do foco de aftosa, parou a comercialização, principalmente, para São Paulo'', diz José Luiz Vicente da Silva, presidente da Associação de Suinocultura do Norte do Paraná (Suinopar). Ele acrescenta que os animais que não estão sendo vendidos permanecem nas granjas e ficarão com excesso de carcaça.
''Alguns frigoríficos do Norte do Estado aumentaram em 10% os abates, mas os preços ficaram muito baixos'', afirma Silva. Ele acrescenta que entre os Estados só podem ser comercializados produtos industrializados com selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) para serem entregues para empresas que tenham o SIF. No entanto, os prejuízos dos criadores não ficam restritos às perdas das vendas.
Há também o aumento do custo de produção, uma vez que os animais permanecem nas granjas, o que traz um consumo maior de ração. ''As exportações também estão comprometidas por causa da greve dos fiscais. E estamos no último prazo para embarcar os produtos para Rússia que, a partir de dezembro não recebe mais nada por causa do frio'', explica.


