Curitiba Já existem suinocultores do Oeste do Estado que aguardam o dia que poderão receber os créditos de carbono. Isso só será possível porque alguns deles fizeram investimentos em sistemas de biodigestores para o tratamento adequado dos dejetos animais resultantes da atividade. Um dos pioneiros é o suinocultor José Meneghetti, 40 anos, que, em 2003, tomou a decisão depois de se ver obrigado a desistir da suinocultura, caso não parasse de poluir o meio ambiente.
''Na época nem se comentava sobre créditos de carbono. Mas o fato do dejeto suíno ser muito poluidor, se jogado indevidamente no solo, me forçou a tomar uma providência'', conta ele. Meneghetti está sendo assessorado pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) na elaboração e credenciamento do projeto de biossistema integrado. ''Os países que poluem muito querem comprar esses créditos. Me interessei porque será uma forma de ter o retorno do investimento que fiz para construir o biodigestor e as lagoas de decantação'', explica Meneghetti, se referindo ao valor de R$ 40 mil reais gastos para a implantação do sistema.
''O processo todo é muito burocrático e pode demorar um tempo. Mas na hora que os créditos vierem será bem-vindo. De carona, o meio ambiente também vai sair ganhando nessa história'', disse Meneghetti, dono de 300 matrizes em Unidade Produtora de Leitão (UPL), em São Miguel do Iguaçu. Já em Toledo, o município que mais produz suínos no País, com cerca de 800 produtores, é visível o problema ambiental gerado pela atividade, segundo o presidente da Associação Municipal de Suinocultores, ®MDBO¯®MDNM¯Darci José Backes, 40 anos.
''Estamos trabalhando para reduzir essa poluição e tomar medidas urgentes. A maioria das proriedades ainda não tem biodigestor. Quando dá uma chuvarada os dejetos poluem os rios'', contextualiza Backes. ''Conseguir os créditos também seria mais uma alternativa de renda para o setor, até porque não é difícil de entender todo o processo de créditos de carbono, só é demorado'', disse.
Há cinco anos, Backes trabalha com biodigestores na sua propriedade com 500 matrizes. ''Ainda não estamos com o projeto implantado. Um grupo de produtores aguarda aprovação da Organização das Nações Unidas. Na nossa propriedade já tínhamos o biossistema e agora é só aproveitar o que já existe para o projeto'', completa. (F.G.)

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