Revoltados com os baixos preços da carne suína e com as restrições às importações por causa da febre aftosa, suinulcutores paranaenses assaram 3 toneladas de carne ontem, no centro de Cascavel (Oeste do Estado) e distribuíram o produto de graça à população.
O protesto, organizado pela Associação Paranaense de Suinocultores (APS) com apoio da Associação Brasileira de Suinocultores e das regionais Oeste e Sudoeste da entidade, teve objetivo de sensibilizar as autoridades sobre a crise no setor em virtude do baixo preço da carne suína, que caiu de R$ 2,45 o quilo, em outubro (antes do foco) de 2005 para os atuais R$ 1,25.
O presidente da APS, Irineo Wessler, disse que o setor está acumulando prejuízos e já não consegue se manter com os preços pagos pela indústria, que não cobrem nem os custos da produção. Segundo ele, os embargos à carne suína brasileira - principalmente da Rússia-, a oferta excedente e o consumo interno lento causam o endividamento dos produtores, que já não conseguem manter as propriedades em funcionamento.
Wessler explicou que o setor pede três medidas emergenciais: uma linha de crédito estatal específica para retenção de matrizes no campo, alongamento das dívidas contraídas junto aos bancos pelos produtores e o extermínio do plantel de aproximadamente 1,8 mil bovinos da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). ''Com o extermínio, após seis meses teremos novamente o certificado de área livre. Mas para isto precisamos que o governo estadual, o Ministério e a Justiça se empenhem em resolver a questão.''
O primeiro foco de aftosa no Mato Grosso do Sul foi anunciado em 10 de outubro do ano passado. Já no Paraná, o foco foi confirmado no dia 6 de dezembro pelo Ministério da Agricultura. ''É uma irresponsabilidade do governo em demorar tanto para resolver este problema. Com o baixo preço, perdemos um real por quilo. Nós trabalhamos incansavelmente para melhorar o material genético e atingir a qualidade atual, para passarmos por uma situação destas.''
O protesto atraiu produtores de todo o Estado, como Valdomiro Farth, de 66 anos, que está há 25 anos na atividade. Com a crise do setor, aliada às dificuldades da lavoura, Farth endividou-se e teve que vender uma propriedade de 10 alqueires para pagar as contas. Hoje mantém 36 alqueires, em Toledo (Oeste do Paraná), com uma granja de 200 matrizes com atividades em soja e milho. ''A minha lucratividade que era de 30 a 40% caiu para 4%, mal dá para cobrir o custo da produção. Isto sem contar a lavoura que vai mal. Se não houver uma medida urgente terei que parar com a atividade'', diz.
Após servirem carne de graça à população, com sanduíches de pão francês, os produtores fizeram uma carreata pelo centro de Cascavel.

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