Trinta e cinco suinocultores do Paraná participam hoje, em Brasília, de uma audiência pública organizada pela Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara dos Deputados, no Congresso Nacional. O objetivo do evento, que contará com a presença de representantes dessa cadeia produtiva de todo o País, é discutir alternativas para minimizar a crise enfrentada pelo setor nos últimos dois anos.
Os suinocultores entregarão aos deputados um documento com suas principais reivindicações. ''A principal delas é a prorrogação das dívidas contraídas pelos produtores'', adiantou Romeu Carlos Royer, presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS). A expectativa é que o prazo seja aumentado por mais cinco anos para débitos de custeio e 20 anos para dívidas de investimento.
Uma pesquisa realizada pela APS constatou que em granjas paranaenses de ciclo completo, o produtor acumula dívidas de R$ 370,00 para cada matriz alojada. ''Sendo que cada animal vale, no máximo, R$ 250'', reclamou Royer. De acordo com ele, a atividade está dando prejuízo há seis meses, mas faz quase dois anos que está difícil sobreviver apenas com a criação.
Antes de 2001 havia 36 mil propriedades com criação de porcos no Paraná. Hoje, a associação estima que 50% das pequenas granjas fecharam. Entre as grandes, e estimativa é que 15% a 20% encerraram as atividades.
A crise do setor suinícola brasileiro começou em 2001, quando a baixa cotação do milho e do farelo de soja estimularam os criadores a alojarem mais matrizes. O aumento na oferta acabou derrubando o preço do animal. Aliado a isso, a alta do milho e do farelo de soja no ano seguinte encareceram o custo de produção.
Em 2001, segundo Guilherme Oscar Richter, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), o preço médio do milho no mercado atacadista paranaense foi de R$ 9,76 por saca de 60 quilos. O farelo de soja custava R$ 0,45 por quilo enquanto o produtor recebia R$ 1,23 pelo quilo do suino vivo.
Ano passado, com a quebra na safra de milho, o cereal fechou o ano a um preço médio de R$ 16,42 por saca, o que representou uma elevação de 62,2%. O farelo de soja aumentou 23,7%, enquanto o preço médio anual do quilo do suíno vivo ficou em R$ 1,16, indicando queda de 6%. ''O suinocultor fechou o ano amargando uma grave crise, com prejuízo médio de R$ 50,00 por suíno terminado'', afirmou.
No primeiro quadrimestre deste ano, os suinocultores continuam enfrentando dificuldades. O custo médio para 20 terminados por matriz ao ano é de R$ 1,80 por quilo. Mas o suinocultor recebe, no Paraná, R$ 1,31 por quilo.
Para Royer, a solução está na redução de pelo menos 5% da produção nacional. A dificuldade, porém, é convencer os criadores a adotarem essa medida. ''Faz um ano que orientamos os criadores a diminuirem o plantel, mas eles preferem continuar ganhando pouco ou nada.''

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