Vânia Casado
De Curitiba
Os suinocultores do Paraná e Santa Catarina estão revoltados com o comportamento do BNDES. Eles reclamam da falta de atendimento e justiça social por parte de uma instituição do governo, que descarta o financiamento para modernização dos sistemas de produção da suinocultura do Sul do país. Enquanto isso, o mesmo BNDES está concedendo um financiamento no valor de US$ 10 milhões para a empresa norte-americana Carol Foods, que está instalando um megaprojeto de suinocultura no município de Diamantino, no Mato Grosso.
De início, a instalação desse megaprojeto vai tirar do mercado cerca de cinco mil pequenos e médios produtores que dependem da atividade para o sustento de suas famílias. Eles não terão condições de competir no mercado, disse o presidente da Associação Catarinense de Suinocultores, Paulo Tramontini. Conforme cálculos de Romeu Carlos Royer, presidente da Associação Paranaense de Suinocultores, a empresa norte-americana terá condições de produzir a carne por R$ 0,90 o quilo, enquanto o produtor brasileiro que está com sistema de produção defasado não consegue produzir por menos de R$ 1,15 a R$ 1,18 o quilo.
Os presidentes das Associações de Criadores de Suínos do Paraná e Santa Catarina vão acionar a bancada parlamentar de seus estados para protestar junto ao governo federal. Os produtores estão indignados com a opção do banco em financiar uma instituição americana, que não tem compromisso algum com o País, deixando os produtores brasileiros sem qualquer tipo de apoio financeiro.
A informação dos suinocultores é que o grupo Carol Foods está instalando infra-estrutura para criação de 50 mil matrizes de suinos, que permite hoje o abate de 4.000 suínos por dia. A produção será própria e não está previsto nenhum projeto de integração com suinocultores à exemplo do que ocorre com as grandes empresas nacionais do setor como Sadia, Perdigão e outras que absorvem a produção gerada pelos produtores na região. Trata-se de um grupo forte que controla cerca de 350 mil matrizes nos EUA, que corresponde ao conjunto de matrizes em poder dos 20 mil produtores de suínos de Santa Catarina.
O temor dos suinocultores da região Sul, é que essa multinacional tem poder de fogo para inundar o mercado brasileiro de carne e derivados de suínos, inclusive a preços mais favoráveis ao consumidor porque vão implantar uma estrutura totalmente automatizada, que deverá reduzir os custos de produção. O mercado consumidor que será disputado será o mesmo, disse Royer. ‘‘ Vamos usar nosso potencial econômico para pressionar a classe política’’, avisou. O Paraná e Santa Catarina respondem juntos por 36% da produção brasileira de carne. Em 99, PR e SC produziram 610 mil toneladas de carne de um total de 1,7 milhão de toneladas, segundo o Deral (Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura).

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