Suinocultor substitui milho pelo capim
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quarta-feira, 20 de novembro de 2002
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá - Suinocultores da região de Maringá estão alimentando os animais com capim e casca de soja por falta de dinheiro para comprar milho. E, por causa da crise, que é considerada a mais grave dos últimos 20 anos, muito granjeiros estão abatendo matrizes e encerrando a atividad, não só no Noroeste, mas em todo o Paraná.
A saca de 60 quilos de milho que valia R$ 12,00, em fevereiro, atualmente está custando em torno de R$ 26,00. No entanto, o quilo quilo da carne suína pago ao produtor em fevereiro era de R$ 1,10 a R$ 1,20, agora não passa de R$ 1,50. O preço ideal do quilo ao produtor para manutenção da atividade seria de R$ 2,20 já que o custo de produção de carne com insumos e ração está em R$ 1,60, segundo suinocultores. Por isso, já se fala que a principal consequência do desajuste na atividade será o desabastecimento de carne suína a partir de fevereiro do ano que vem.
Diante deste desequilíbrio, o criador de Iguatemi, distrito de Maringá, José Carlos da Silva, há 22 anos na atividade, substituiu a ração do cocho pelo capim na alimentação do plantel de 650 animais. A ração é fornecida apenas uma vez ao dia. Silva também se desfez de 40% das matrizes. ''Estou dando o capim para não morrerem de fome'', afirma. ''Dói no coração ver os animais assim, mas não tenho outra alternativa'', completa Silva.
Das 28 toneladas de ração utilizadas por mês, o criador manteve 12 toneladas. A dívida no banco, resultado do prejuízo com a criação, está em torno de R$ 20 mil. Para atingir o peso ideal de abate, em média 90 quilos em 145 dias desde o nascimento, o animal consome cerca de 300 quilos de ração. ''O capim é como se fosse uma dieta rigorosa e não aumenta em nada o peso, ao contrário, apenas ameniza a fome do animal'', diz Silva.
O produtor Pedro Regilio, há 17 anos na atividade, tem atualmente apenas 100 leitões, dos 661 suínos no início de maio deste ano. ''Já fiquei com vontade de dar estes animais, porque o custo para alimentá-los é muito alto'', diz. Ele conta que alimenta os animais com casca de soja. ''Estava usando a mandioca, mas o preço da tonelada da raiz na roça saltou de R$ 35,00 a tonelada para R$ 95,00'', explica Regilio. Para não despedir a família que cuidava da granja, o produtor liberou a propriedade para o cultivo de horta e criação de peixes.
O veterinário Bruno Wernick, especialista na assistência direta aos suinocultores das regiões Norte e Noroeste do Estado, disse ontem que no eixo entre Maringá e Londrina, foram abatidas 4 mil das 8 mil matrizes de produtores destas regiões nos últimos meses.
Segundo o presidente da Associação Paranaense dos Suinocultores, Romeu Carlos Royer, diz que poder faltar carne de porco no ano que vem porque muitos suinocultores estão deixando a atividade. ''Tínhamos 30 mil criadores no Estado, mas hoje não sabemos qual o número em atividade'', afirma.


