O quilo do suíno atingiu o preço mais alto da história no Paraná. Ontem, segundo o site do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) o produtor recebeu, em média no Estado, R$ 2,59 pelo produto. Na região Oeste, o preço chegou a R$ 3,00 para produtores independentes. É a primeira vez que o valor pago por um quilo se equipara a US$ 1,00.
''Para quem teve 20 meses de prejuízo, é hora de recuperar o fôlego'', afirmou Romeu Carlos Royer, presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS). Ele acredita que o suíno deve continuar valorizado nas próximas semanas. ''A demanda está aquecida'', disse.
Desde o início do ano, o produto subiu 26% ao produtor, conforme informou Gustavo Fanaya, economista do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne). No atacado, a alta foi um pouco maior: 29%, com o quilo da carcaça comercializada a R$ 5,10.
Ele explicou que a valorização decorre da oferta insuficiente observada nos últimos dois meses. Em setembro, quando a Rússia (principal importadora da carne suína brasileira) estabeleceu cotas para aquisição da mercadoria nacional, produtores se desmotivaram com a atividade e diminuíram os plantéis. Com isso, a demanda ficou maior que a oferta e os preços subiram. ''O ajuste foi maior que o necessário'', analisou.
Para o economista, os preços continuarão em alta por mais alguns meses, até que os produtores aumentem o número de animais nas granjas. Esse possível crescimento preocupa os suinocultores, que viveram dois anos de prejuízo por causa da oferta excessiva de suínos no mercado.
''O produtor deve ter cautela'', aconselhou Royer, lembrando que qualquer ampliação requer o licenciamento concedido pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). ''O IAP determina a ampliação de acordo com área disponível para receber dejetos'', esclareceu.
Fanaya defende que a renegociação das cotas para exportação com a Rússia, seja o caminho para manter a oferta e a demanda em equilíbrio, garantindo, desta forma, preços estáveis ao produtor. ''Se as exportações para a Rússia fossem retomadas, haveria demanda em caso de excesso de produção'', comentou.
O estabelecimento das cotas impactou negativamente a performance das exportações brasileiras de carnes e derivados de suínos. De janeiro a junho deste ano, segundo Fanaya, o volume de vendas externas reduziu 4%. Foram 227.644 toneladas exportadas no primeiro semestre de 2004, ante as 237.766 toneladas comercializadas no mesmo período de 2003.
No Paraná, a queda foi de 21%. Nos seis primeiros meses de 2004 foram negociadas 29.705 toneladas, ante a venda de 37.756 toneladas de janeiro a junho de 2003. Apesar da queda, o faturamento das exportações, no Estado, cresceu 5%.
Especificamente com relação aos negócios do Paraná com a Rússia, as exportações de carcaças e meias carcaças reduziram 90% no primeiro semestre de 2003, de 3537 toneladas para 355 toneladas. As vendas de cortes diminuíram 18%, de 19.135 toneladas para 15.598 toneladas.

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