Suíça prorroga prisão do principal acusado do caso Noroeste
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo O juiz Daniel Devaud, de Genebra, na Suíça, prorrogou até o final de fevereiro a prisão provisória do brasileiro Nelson Sakagushi, acusado de ser o artífice do desfalque de US$ 242 milhões contra o Banco Noroeste, comprado pelo Santander em 1997. A decisão foi tomada depois da prisão, ocorrida na semana do Natal, em Miami, nos Estados Unidos, dos paquistaneses Naresh Asnani e seu pai Shandas Asnani, principais envolvidos nas operações de lavagem do dinheiro desviado do banco.
Os Naresh foram presos a pedido das autoridades suíças quando desembarcavam em Miami, vindos da Nigéria onde vivem. ''De acordo com as leis norte-americanas, o pedido de prisão formulado pela Suíça terá que ser julgado pela Justiça norte-americana antes que os dois sejam enviados para Genebra'', informou o advogado Aloysio Lacerda Medeiros, que defende os ex-controladores do banco. O pedido de prisão dos Asnani será julgado pelas autoridades norte-americanas até o final deste mês.
Medeiros acompanhou, na Suíça, em dezembro, os últimos depoimentos de Sakagushi e as decisões do juiz Devaud. ''O juiz decidiu prorrogar a prisão de Sakagushi porque quer ouvir os Asnani, antes de tomar qualquer decisão'', avaliou Medeiros.
O caso Noroeste é considerado pelas autoridades financeiras internacionais como o maior episódio de lavagem de dinheiro já investigado no mundo. A operação começou a ser descoberta em 1996, quando uma auditoria do Santander, que comprava o Noroeste, descobriu que os US$ 242 milhões que deveriam estar depositados na agência do banco nas ilhas Cayman simplesmente não existiam.
Os ex-controladores do banco, das famílias Simonsen e Cochrame, acusam Sakagushi de ser o autor do desfalque. Sakagushi argumenta que não poderia movimentar somas tão altas sem determinação dos diretores do banco.


