Suíça estuda repassar impostos para o Brasil
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quinta-feira, 05 de março de 2009
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - Banqueiros suíços vão depôr no Brasil nos próximos dias e o governo de Berna acena com a possibilidade de negociar com o País um acordo sobre as fortunas de brasileiros nos bancos suíços. A Suíça afirma que está disposta a negociar um acordo para repassar parte dos impostos cobrados. Mas com uma condição: não divulgará os nomes dos correntistas ao Fisco brasileiro.
O acordo já existe com os países europeus sobre a cobrança de impostos. O presidente da Suíça, Hans Rudolf Merz, garantiu que Berna ''está pronta'' para começar uma negociação. ''Mas nossos parceiros terão de aceitar as condições'', disse.
O acordo prevê que o governo suíço cobre 30% de impostos sobre os lucros obtidos por uma fortuna em taxas de juros. Esse dinheiro então é repassado ao país de origem do dono da conta. Mas o nome do correntista é mantido em total sigilo, assim como o valor total de sua conta.
Nos últimos anos, praticamente todos os bancos suíços e mesmo os estrangeiros que atuam em Genebra e Zurique abriram departamentos inteiros com executivos preparados para atender clientes brasileiros. Mas o fluxo de dinheiro para a Suíça e a atuação dos bancos, enviando seus executivos para pescar novos clientes até no interior do Brasil, levantou suspeitas por parte do Ministério Público.
Nos próximos dias, alguns dos banqueiros suíços voltarão a ser ouvidos pelo Ministério Público em um processo de lavagem de dinheiro. ''Se pessoas cometeram crimes, precisam ser levadas às cortes'', afirmou o presidente suíço.
Há duas semanas, o Grupo Estado revelou como atuavam doleiros e banqueiros juntos na abertura e transferência de recursos de brasileiros para a Suíça. Segundo fontes próximas no setor financeiro, na maioria das vezes, os encontros com os banqueiros suíços se realizam nos grandes hotéis de São Paulo, Rio e Brasília. Eles oferecem todas as facilidades, vem com formulário de abertura de contas, propostas de aplicações, colhem assinaturas e pronto: a conta secreta está aberta. Exigem apenas um documento: um passaporte válido.
Segredo bancário
Pela primeira vez em um século, a Suíça admite rever seu segredo bancário e aceitaria acordos de cooperação até mesmo com o Brasil. O país vive um dos momentos mais críticos de sua história e tenta desesperadamente manter suas leis.
Processos legais nos EUA contra bancos suíços e pressão política do G20 pelo fim dos paraísos fiscais fazem o governo de Berna acenar com a possibilidade de uma negociação.
Mas a estratégia não significa abolir o sigilo. O objetivo é o de dar alguma concessão aos demais países para que a pressão seja retirada. ''Não posso nem imaginar a abolição do segredo bancário'', afirmou hoje o presidente da Suíça, Hans Rudolf Merz.


