Durante uma semana, o economista Steve Hanke, assessor especial do presidente Suharto, da Indonésia, expôs a jornalistas e aos banqueiros o plano de fixar no país um câmbio fixo, à moda Argentina e de Hong Kong. Apesar da oposição do FMI (Fundo Monetário Internacional), que ameaçou cortar a ajuda de US$ 43 bilhões prometida à Indonésia caso a idéia fosse levada adiante, Hanke disse que a proposta seria implementada até o final do mês de fevereiro - ‘‘quanto antes melhor, me disse Suharto’’. Ontem, Suharto chamou Hanke para um conversa. Na saída, o economista, professor da Johns Hopkins University, em Baltimore, disse aos jornalistas que Suharto havia mudado de idéia e queria que Hanke aprofundasse as negociações com o FMI.
Horas depois, começou a surgir no mercado a idéia de que Suharto nunca pensou seriamente em implementar o câmbio fixo no país sem a aprovação do FMI. ‘‘Se tivesse que apostar, diria que Suharto até já desistiu da idéia’’, disse à reportagem o professor de economia Hirohisa Kohama, da Universidade de Shizuoka, em Tóquio, especializado em economia indonésia. Segundo Kohama, Suharto já deve ter percebido que não há na Indonésia as mínimas condições para que um câmbio fixo seja implementado, além do fato de que seria drástico, para seu governo, romper com o FMI. ‘‘Para um governo com problemas de credibilidade política, seria suicídio, embora pareça que a ele só resta agora medidas mágicas como essa, pois o acordo com o FMI não brecou o processo de deterioração da economia do país’’, disse o economista.
Além de acreditar que faltam reservas necessárias para a implementação do câmbio fixo na Indonésia, Kohama disse que a idéia só seria adequada em caso de hiperinflação, situação vivida pela Argentina quando implementou o câmbio fixo. ‘‘Apesar da inflação crescente na Indonésia, ainda não é hora’’, afirmou.

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