Muitos economistas, como Maryse Fahri, professora do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (Cecon), do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE/Unicamp), sugerem uma mudança nos índices usados para determinar as metas. O regime de metas de inflação perseguidas pelo BC considera sempre o índice cheio como a meta, sem excluir preços que não reagem à alta dos juros, como commodities e tarifas. Segundo a especialista, o BC deveria levar em conta os ''choques exógenos'' e considerar um índice que consiga expurgar esses preços mais voláteis.
Maryse também critica a fixação de prazos curtos para metas ousadas e a antecedência na definição das taxas anuais. De acordo com a pesquisadora, o BC não precisava determinar prazos tão curtos para atingir a meta de inflação, no caso brasileiro, de 12 meses. ''Poderia ser em 18 meses, 24 meses ou simplesmente não ter prazo algum, como ocorre em muitos países'', afirma Maryse. Ao assumir um prazo com o mercado e não alcançar a taxa prometida no intervalo de tempo, crescem as expectativas negativas no conjunto da economia.
Além disso, no modelo há ''descolamento'' entre as previsões futuras de inflação (sempre feitas com antecedência de dois ou três anos) e a realidade da conjuntura econômica. ''O Banco Central se prepara para anunciar qual será a meta de inflação para 2007. O problema é que isso será feito com total descolamento em relação a realidade econômica do País'', explica a pesquisadora.
A sincronia entre as diversas instâncias do governo é outra condição para combater a inflação com eficácia. ''Aprendemos de 1999 para cá que qualquer programa de combate à inflação precisa incluir austeridade fiscal'', diz Antonio Lanzana. Segundo ele, qualquer plano antiinflacionário tem poucas chances de sucesso se não houver equilíbrio nas contas públicas.
E essa é a primeira falha da atual política de combate à inflação. Os juros estão subindo desde setembro, enquanto os gastos do governo não param de crescer. Os gastos discricionários do governo (custeio e investimento, excluídos gastos com folha de pagamento e os vinculados) aumentaram 15,7% (em termos reais) no ano passado.
(Colaborou: Agnaldo Brito/AE)

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