Marcos BorgesVersatilidadeJosé Alfredo Lievore: ‘‘O trabalhador mais produtivo é o que investe em sua capacitação sem se deixar encaixotar numa função dentro da empresa, estando apto a atender novas necessidades’’Melhorar o desempenho profissional sem levar em conta a vida particular está fadado ao insucesso. Em tempos de Inteligência Emocional, termo difundido pelo psicólogo e jornalista judeu-americano Daniel Goleman, o ser humano deve buscar o equilíbrio nas relações familiar e profissional. ‘‘O trabalhador mais produtivo é o que procura manter um bom relacionamento em casa, com os amigos e com os colegas de trabalho. É o que investe em sua capacitação, sem se deixar ‘encaixotar’ numa função específica, estando apto a atender necessidades novas dentro da empresa’’, afirma o consultor José Alfredo Lievore.
No sábado, a partir das 8 horas, Lievore dará o curso Marketing Pessoal e Ética Profissional, no Crystal Palace Hotel em Londrina. Lievore, que hoje mora em Apucarana, já trabalhou em grandes empresas, como a Alpargatas, Topper, Grendene, Speedo, Seagram do Brasil e nos institutos Imbrape e Sebrae. Também assessorou as marcas Xuxa, Angélica, Sérgio Malandro e Us Top. Ele voltou para o Estado natal há três anos, com a família, em busca de qualidade de vida.
Segundo Lievore, a preocupação em se capacitar deve partir primeiro do indivíduo. ‘‘As empresas não investem em quem não investe em si mesmo’’, diz. Esse investimento pessoal inclui o auto-conhecimento. ‘‘Vale o que Sócrates disse: conhece-te a ti mesmo’’, lembra Lievore. ‘‘O indivíduo tem que se voltar para dentro, avaliar sua capacidade, conhecer seu talento e identificar em que pontos precisa melhorar’’.
A especialização é valiosa - afirma - mas o indivíduo também precisa desenvolver áreas que não domina tão bem. ‘‘O trabalhador que se especializa em alguma área dentro da empresa, mas também é capaz de suprir alguma necessidade que surge numa emergência, é bastante valorizado’’.
A preocupação em se relacionar bem com os colegas de trabalho e com a própria família também deve estar na mente do ser humano. ‘‘O desempenho no emprego começa em casa, logo de manhã, quando a pessoa dá bom dia para a esposa, os filhos, ele já está se preparando para o trabalho’’.
O relacionamento entre os funcionários também é importante para aumentar a produtividade. ‘‘Antes quem tinha um comportamento extrovertido no trabalho não era visto com bons olhos. As empresas buscavam os primeiros alunos das faculdades para melhorar sua produção. Só que os resultados com os chamados ‘‘CDFs’’ não foram assim tão satisfatórios. Muitas vezes, o aluno com as notas máximas não sabe se relacionar com as pessoas nem lidar com emoções. Já o que é piadista, que muitas vezes não é considerado sério, é capaz de lidar com seus comandados de forma mais humana, o que resulta em maior produtividade’’.
A competitividade e a qualidade tão propaladas na era da globalização acabam sendo prejudicadas em função da própria globalização. ‘‘Acaba prevalecendo a frase ‘não posso errar mais’, criando uma neurose coletiva. As pessoas acabam buscando um carreirismo, se estressam e se esquecem de valorizar o ser humano. Muita gente nem cumprimenta o outro no trabalho para ser mais produtiva’’.
Mas Lievore alerta que nem todo mundo tem que ser ‘‘engraçadinho’’ para se manter no emprego. ‘‘É claro que nem todos têm o mesmo temperamento e ninguém quer homogeneizar as relações, mas o equilíbrio das emoções em casa e no trabalho deve ser uma busca comum’’.
Lievore elogia a mulher no trabalho, que geralmente é mais produtiva que o homem e tem maior capacidade de administrar tantas tarefas a ser executadas - segundo ele. ‘‘A mulher tem que ligar para a empregada para descongelar comida, para a escola do filho e trabalhar ao mesmo tempo. Mas ela tem bom senso e mais sensibilidade que a permitem agrupar várias atividades. Ela tem maior controle emocional que o homem’’.
O consultor menciona pessoas famosas, com técnica apurada no desempenho profissional, mas que não têm qualquer controle emocional, e cita, como exemplo, os jogadores de futebol Edmundo e Djalminha. ‘‘Alguns clubes contrataram psicólogos que passaram a tratar também do lado emocional dos jogadores. Já houve melhoras, como é o caso do Neto. O Pelé é um exemplo de quem é altamente talentoso e sabe gerenciar a vida. As pessoas bem sucedidas na vida profissional e pessoal são autoras da própria história e não simples atores. É só usar o feeling e valorizar o lado humano em todos os relacionamentos’’.

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