O sucesso da emissão de bônus globais de cinco anos pelo Brasil reanimou o mercado financeiro. O governo conseguiu colocar US$ 2 bilhões - o dobro da intenção inicial. Pelos papéis, o País vai pagar juros de 11,882%, equivalentes a 675 pontos-base em relação aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de prazo equivalente. Os bancos Salomon Smith Barney e a Morgan Stanley Dean Witter lideraram a emissão.
A confirmação deste montante agradou aos investidores, que consideram uma captação muito maior não tão conveniente, por causa do alto custo ainda gerado pelo risco Brasil. O País tem a permissão da SEC de emitir mais US$ 3 bilhões até junho, quando espera-se que sua credibilidade esteja mais consolidada.
As bolsas já abriram em alta ontem, na expectativa deste bom resultado. A Bovespa atingiu a valorização máxima de 2,85%. Um pequeno movimento de realização de lucros acabou por resultar num fechamento mais modesto, em que o índice registrou alta de 0 86%. O volume de negócios, contudo, reduziu-se a R$ 549 milhões, pelo fato de alguns investidores terem emendado o feriado de Tiradentes e pela pequena presença de investidores estrangeiros. Também o excelente desempenho da Bolsa de Nova York, anteontem e ontem (altas de 132,8 pontos e 145,76 pontos, respectivamente) foi decisivo para a alta das bolsas brasileiras nesta quinta-feira.
Toda esta comemoração só foi possível porque a CPI do sistema financeiro não trouxe novidades ontem. O mercado, que não esconde o medo de as investigações extrapolarem os casos Marka e FonteCindam, torce para que os senadores governistas consigam delimitar bem o processo.
A emissão de US$ 2 bilhões em bônus globais pelo governo brasileiro foi o principal fato do dia ontem também no mercado de câmbio. Desde a revisão do acordo com o FMI concluída em fevereiro passado que o mercado vem esperando uma colocação de títulos soberanos no exterior. A emissão completa uma série de medidas no rumo do retorno da estabilização do real, como o controle da inflação, a valorização do real, a continuidade das privatizações, o superávit da balança e a redução dos juros.
Na avaliação de analistas, o lançamento dos bônus globais abre as portas do mercado internacional para os títulos brasileiros. ‘‘O mercado esperava por isso. Daí o comportamento dos indicadores hoje’’, afirmou um analista. O reflexo no mercado de câmbio do lançamento dos bônus foi a queda do dólar, que fechou em baixa de 1,73% ontem, cotado a R$ 1,70.
Operadores afirmam que o Banco Central não atuou ontem no mercado de câmbio. E o dólar só não teria caído mais por causa de uma resistência baseada na CPI do Sistema Financeiro. Embora as apurações da CPI não tenham trazido fatos novos, operadores comentam que é cedo para prever o desfecho.

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