Sucessão pode ser menos complicada
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terça-feira, 27 de outubro de 1998
Guto Rocha 
O processo de sucessão dos membros de uma diretoria em uma empresa urbana provoca, na maioria dos casos, a dissolução da organização. Segundo a consultora Marisa Ribeiro, de Londrina , a sucessão é ainda mais difícil em uma empresa rural, porque muitas vezes o proprietário prefere que os filhos mudem de atividade, alegando que a agropecuária é uma atividade pouco compensadora. Mas muitos jovens sucessores acabam buscando uma formação ligada ao setor, como agronomia ou medicina veterinária. E quando voltam para a propriedade, com novas informações, quase sempre há conflitos com as práticas adotadas pelos pais, comenta.
Marisa afirma que no ano passado fez uma pesquisa entre as propriedades rurais na região de Londrina colocadas à venda, e constatou que 22 estabelecimentos rurais estavam abandonados porque os filhos dos proprietários não estavam preparados para administrá-los. Para evitar que este tipo de problema continue acontecendo, o Sindicato Rural de Londrina, dentro do Programa de Mobilização Sindical, está promovendo um trabalho de conscientização com um grupo de sucessores, com jovens de 20 a 35 anos e seus pais.
Consultor A consultora Marisa já realizou algumas palestras com o grupo, e no dia 5 de novembro, o Sindicato e a Sociedade Rural do Paraná trazem o consultor Renato Bernhoeft, de São Paulo, para ministrar o seminário Empresa Familiar: Seus desafios e oportunidades.
Segundo Marisa, muitos jovens sucessores ficam inibidos em conversar sobre o assunto, temendo que os pais achem que eles querem a herança antes da hora. É preciso que haja ótima comunicação entre pais e filhos. E a conversa deve partir dos filhos, porque os pais têm dificuldades para falar sobre este assunto, aconselha.
Marisa explica que herdeiros são todos os filhos, e sucessor é aquele que vai ocupar o lugar do pai. Segundo a consultora, o pai deve observar entre os filhos, qual é que tem aptidão para se tornar seu sucessor à frente dos negócios. A partir desta identificação, o pai deve dar oportunidade para que o filho se prepare para assumir o seu lugar, comenta.
As mães também têm papel fundamental no processo de sucessão. A consultora afirma que elas fazem a ponte entre pais e filhos, e que por isso devem se envolver. O machismo no proprietário rural é mais forte, mas a mulher tem grande influência nas decisões da família, comenta.
Vantagem Marisa afirma que as vantagens de se instituir na propriedade rural o conceito de empresa rural familiar são muitas. Entre as principais ela destaca a confiabilidade entre os membros da família e o conhecimento mais profundo entre os sócios. As tomadas de decisões também são mais ágeis. E a questão afetiva entre os membro facilitam as negociações. A consultora observa que o sucessor assume o comando, mas toda a família funciona como conselho de administração de uma empresa, que discute as decisões que o sucessor deve tomar.
As inscrições para o seminário já estão abertas e podem ser feitas no Sindicato Rural ou na Sociedade Rural do Paraná. Para associados ou grupo de duas um mais pessoas, as inscrições custam R$ 20,00. Para demais inscrições, a taxa é de R$ 30,00.


