A velha máxima de que ''os avôs são ricos; os filhos, nobres; e os netos, pobres'' ainda se enquadra aos dias atuais, principalmente, se o foco for voltado para as micro e pequenas empresas. A falta de sucessão nesses negócios é a principal causa da sua mortalidade depois da ausência do fundador. Estatísticas apontam que de cada 100 empresas, 30% não sobrevivem à segunda geração e 5% não passam da terceira geração. É um problema cultural, que envolve desde a falta de interesse dos filhos na empresa, as brigas entre família, a centralização do pai ou a falta de confiança nos filhos.
A boa notícia, pelo menos, é que o panorama parece estar mudando. A conscientização tem sido a palavra-chave para muitos casos, fator fundamental para a sobrevivência da empresa. É um processo similar ao associativismo de pequenas e médias empresas para enfrentar os grandes concorrentes. ''O processo de sucessão deve começar o quanto antes. O fundador é peça fundamental porque ele tem a experiência prática, definiu os valores e a ética da empresa e pode indicar o perfil ideal para comandar o negócio'', explica Domingos Ricca, consultor especializado em empresas familiares e doutor em administração.
Preparar os herdeiros é fator fundamental. Em muitos casos, com a ausência repentina do fundador os filhos não sabem tocar o negócio. ''Os pais constróem uma empresa pensando em deixar para os filhos, mas eles se esquecem de perguntar se os filhos querem isso. Cada um tem que fazer o que gosta e, muitas vezes, os pais não entendem isso e acham que criaram mal seus filhos, o que não está correto'', argumenta o consultor. Os problemas também podem estar no tratamento dispensado aos filhos. ''Na maioria das vezes o problema está com o pai'', observa.
Isso ocorre porque muitos pais não conseguem enxergar seus filhos como profissionais ou não aceitam seus erros e desconhecimentos sobre a empresa. ''Além disso, há pais que acreditam que os filhos devam ter o seu carisma e a sua experiência prática, mas as pessoas não são iguais'', comenta Ricca. Aliás, com o grande volume e o acesso às informações que o mundo atual disponibiliza e se o pai conseguir transmitir aos filhos a sua experiência prática a tendência é que os herdeiros se saiam melhores do que os fundadores.
Agregados - Os problemas na sucessão das empresas ocorrem por vários motivos. Muitas vezes, o pai tem o temor de agravar os conflitos familiares com a indicação de um sucessor; há muita interferência de genros e noras e até da mãe. Há casos em que a matriarca prefere se desfazer do negócio para manter a família, iniciativa que nem sempre dá certo. ''Se as brigas já começaram, dificilmente elas vão acabar com a venda da empresa'', avalia o consultor. Um processo tranquilo só será conseguido se todos os membros da família, inclusive os ''agregados'', forem envolvidos.
Se não houver a participação de todos, as chances de um boicote serão muito maiores. Aliás, ele até recomenda a participação de noras e genros na empresa, desde que qualificados para o trabalho. ''Parentes podem ser capacitados e, de repente, estará tirando alguém competente. O ideal é exigir dos parentes que eles cumpram metas e apresente resultados. Com a forte concorrência do mercado, nenhuma empresa mantém em seus quadros funcionários que não apresentem resultados'', observa o consultor.

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