Que a sucessão nas empresas é um tema bastante delicado ninguém discorda. Por isso, muitos empresários começam a tratar deste assunto com bastante antecedência, com os filhos ainda jovens. A intenção é promover a integração dos herdeiros na empresa e prepará-los para tomar decisões e assumir responsabilidades. Outro procedimento importante que vem sendo adotado é a instituição de um conselho, onde todos os membros da diretoria discutem as estratégias que deverão ser adotadas.
No Foto Célula, por exemplo, os três filhos e a esposa do proprietário, Terumi Koga, já atuam na empresa e cada um deles é responsável por um departamento. Uma delas, Cristiane, é responsável pelos setores de compra e financeiro; Michele cuida dos recursos humanos; o filho, Anderson, é responsável pela área técnica de equipamentos e computadores; e a esposa Kumiko, que era professora, atua no estúdio que a empresa está montando direcionado para fotos artísticas e eventos sociais.
A remuneração vem através de salários para evitar retiradas eventuais do caixa da empresa. A entrada dos filhos no quadro ocorreu depois de uma conversa com o pai, há mais de cinco anos. ''Perguntei se elas queriam trabalhar comigo. Disse que se elas aceitassem iria trabalhar para expandir o nosso negócio; se elas não quisessem a empresa ficaria como estava porque eu não queria ampliar mais. Acredito que o que os olhos não vêem, o negócio não compensa'', comenta Koga.
Na época, o Foto Célula tinha oito unidades; atualmente são 23. No entanto, a empresa está passando por uma reestruturação. ''A economia não está boa e quando houve a mudança do sistema analógico para o digital os custos aumentaram muito e a margem de lucro caiu muito'', argumenta o proprietário. Os filhos têm autonomia para cuidar dos assuntos rotineiros, mas as decisões estratégicas são discutidas semanalmente durante uma reunião entre todos os membros da diretoria.
Ideal - A transição feita por ideal, não por herança. Essa é a filosofia adotada pela Indrel Indústria de Refrigeração. A sucessão foi iniciada há mais de 30 anos, com a entrada dos filhos no quadro de funcionários. ''A sucessão nunca é tranquila, há atritos porque os ideais são diferentes e, por isso, tem que haver a identificação entre a família e a empresa'', salienta José Augusto Rapcham, responsável pela diretoria técnica. Por isso, ele conta que o pai, Alberto, sempre deixou os filhos livre para decidir sobre seu futuro profissional.
O irmão caçula João Fernando também integra a equipe. Ele é responsável pelo departamento de marketing e comercial. O fundador continua nos setores administrativos e financeiro. Outros dois irmãos mais velhos, que chegaram a atuar na Indrel, deixaram a empresa para montar uma outra de móveis tubulares, em sociedade, que também já foi desfeita. Os dois optaram por comandar seus negócios individualmente. Os dois filhos que estão na Indrel se prepararam tecnicamente para fazer a gestão.
''Há setores administrativos que as pessoas não se identificam. Para isso, deve haver uma preparação dos funcionários, mesmo que não sejam membros da família'', disse Rapcham. Apesar da autonomia de cada integrante da família para exercer seu cargo, as decisões estratégicas são discutidas semanalmente entre o conselho administrativo.

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