Um em cada quatro brasileiros em idade economicamente ativa está desempregado, trabalha menos do que gostaria ou está desalentado
Um em cada quatro brasileiros em idade economicamente ativa está desempregado, trabalha menos do que gostaria ou está desalentado | Foto: Roberto Vasquez /Futura Press /Estadão Conteúdo

A taxa de subutilização no mercado de trabalho foi recorde no Paraná, com 17,6% no primeiro trimestre deste ano, segundo dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta quinta-feira (16) os dados regionais, depois de ter revelado no fim de abril que um em cada quatro brasileiros em idade economicamente ativa está desempregado, trabalha menos do que gostaria ou está desalentado, o que também foi a maior taxa de toda a série histórica.

Além do Paraná, outras 12 das 27 unidades da federação registraram recorde nesse indicador, que começou a ser levantado em 2012. Todas as regiões do País contam com ao menos um estado entre os que tiveram pior desempenho histórico, com destaque para Piauí (41,6%), Maranhão (41,1%), Acre (35%), Paraíba (34,3%), Ceará (31,9%) e Amazonas (29,2%). Esse grupo reúne os desocupados, os subocupados com menos de 40 horas semanais e uma parcela de pessoas disponíveis para trabalhar, mas que não conseguem procurar emprego por motivos diversos.

As menores taxas de subutilização foram observadas em Santa Catarina (12,1%), Rio Grande do Sul (15,5%), Mato Grosso (16,5%), e Paraná (17,6%). Porém, com exceção do Rio Grande do Sul, em todos os outros as taxas foram as mais altas da série histórica.

Em 14 estados, a taxa de pessoas desocupadas aumentou entre o quarto trimestre de 2018 e o primeiro de 2019. Apesar de ter fechado até março com o terceiro menor índice nacional, de 8,9%, o Paraná registrou 1,1 ponto percentual de alta em relação aos 7,8% de dezembro de 2018. O recorde histórico local são os 10,3% dos três primeiros meses de 2017.

“O que chama atenção é o perfil de dispersão generalizada da subutilização, que é recorde em todas as regiões”, explica o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. “Além da taxa, é preciso observar a população subutilizada, que é recorde em 15 unidades da federação, cobrindo metade das regiões Norte e Nordeste e quase todo o Sudeste, Sul e Centro-Oeste”, completa.

Consultor econômico da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) e professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), Marcos Rambalducci afirma que o resultado mostra que há baixo consumo em todos os setores, do serviço à indústria. “Está ligado às pessoas que estão na informalidade, profissionais liberais e os que foram demitidos, que oferecem produtos e serviços e dividem o atendimento à demanda e o acesso à renda. É em todos os setores, até no comércio, mas fundamentalmente em serviços”, diz.

OPORTUNIDADES

O delegado em Londrina do Corecon (Conselho Regional de Economia), Flávio Balan, lembra que os estados do Sul tem índices de desocupação muito menores do que os do Norte e Nordeste do País, o que também pode contribuir para uma migração em busca de oportunidades. “Temos um ciclo agrícola e industrial quase contínuo e, por mais que estejamos em crise, temos menos problemas do que em outras regiões.”

Não houve variação considerável em percentual de empregados com carteira assinada no setor privado paranaense, que foi de 2,257 milhões no quarto trimestre de 2018 para 2,215 milhões no período seguinte. Nos primeiros três meses de 2018, eram 2,171 milhões, naquele que foi o pior resultado da série histórica.

Outros 499 mil trabalham informalmente no Estado, ante 529 mil no fim do ano passado. Eram 528 mil no primeiro trimestre de 2018.

REFLEXO DA CRISE

Para o consultor econômico Marcos Rambalducci, não há como a economia do Estado se descolar da nacional, que enfrenta problemas sérios de confiança e de falta de investimento. “Podemos até ter um ou outro bolsão de emprego no Estado, mas enquanto não tivermos medidas econômicas que fomentem o otimismo do setor produtivo, não temos como avançar”, diz.

Os trabalhadores por conta própria foram de 1,372 milhão no quarto trimestre de 2018 para o recorde da série de 1,413 milhão no primeiro de 2019. Houve variação significativa (7,7%) em relação aos três meses iniciais de 2018, quando estavam em 1,312 milhão. Há 327 mil empregadores no Estado.

Já o rendimento médio mensal é o maior da série histórica paranaense, com R$ 2,567 mil. A alta é de 6,5% em relação aos R$ 2,410 mil de um ano antes.

Em relação ao segundo trimestre, o consultor da Acil diz que a tendência é de piora nos números de emprego, segundo análises feitas a partir do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). “Estamos acompanhando os números em Londrina e região e houve uma devolução de vagas na indústria, o que faz com que mais pessoas busquem dividir o mesmo bolo.”

Flávio Balan, delegado do Corecon, considera que são necessárias reformas para destravar a economia, como a previdenciária. “Vivemos um reflexo da crise dos últimos dois anos e vemos tentativas, sem êxito, de movimentar o País, o que se reflete nesse resultado ruim.”

POR REGIÃO

A taxa combinada de subocupação por insuficiência de horas trabalhadas e desocupação também foi recorde no Norte (20,7%), Nordeste (26,4%), Sudeste (18,1%) e Centro-Oeste (15,1%). As maiores taxas estaduais estavam na Bahia (31,1%), Amapá (30,7%), Piauí (30,5%), Sergipe (28,5%) e Maranhão (25,7%). “Observamos mais uma vez o Nordeste concentrando a maior parte das taxas, o que compõe um quadro desfavorável para a região”, comenta Cimar.

No primeiro trimestre de 2019, a taxa de subutilização do país foi de 25%, o que representa 28,3 milhões de pessoas, a maior da série iniciada em 2012.

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