Subsídios prejudicam pequenos produtores no PR
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sábado, 07 de junho de 2008
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
O preço dos alimentos no Brasil irá aumentar nos próximos cinco anos, devido à subvenção de US$ 290 bilhões para a agricultura americana. O dinheiro aprovado pelo governo Bush, faz parte do Farm Bill, que, numa tradução aproximada, seria Política Agrícola Americana. O anúncio sobre subsídios, feito esta semana, distorce o mercado agrícola mundial, provocando concorrência desleal por parte dos EUA em relação a países emergentes como o Brasil. Especialistas calculam que a agricultura familiar de subsistência será a mais atingida no Paraná e no mundo.
Esta é a previsão de Hebert Bartz, agricultor de Rolândia, atualmente fazendo uma série de palestras na região de Aachen, na Alemanha. Ele lembra que não só a subvenção americana, mas também a da Comunidade Européia contribuem para o empobrecimento do País. ''Esta política vai deixar cada vez mais a agricultura pobre no mundo inteiro'', declara.
Ele calcula que as diferenças entre pobres e ricos vão se acentuar nos próximos cinco anos. ''O aumento no preço de alimentos vai acelerar daqui por diante'', lamenta. Bartz que é especialista e crítico feroz dos subsídios do primeiro mundo, lembra que o programa do etanol americano tem afetado toda a produção de alimento na América Latina.
Bartz explica que países como Índia e China estão necessitando cada vez mais de alimentos, o que fará subir o preço, já que não há oferta e os estoques mundiais estão baixo. ''Aqui na Europa, sente-se mais claramente este aumento de preços'', destaca. Esta procura desenfreada por alimentos, aliada à política de subvenção dos países do primeiro mundo, acabará elevando preços e desestimulando produtores dos países emergentes a produzir, devido ao baixo preço praticado pelos EUA e Comunidade Européia com seus produtos agrícolas subsidiados.
Além dos preços salgados na mesa do brasileiro, a agricultura do Paraná, forte em grãos, terá que produzir mais do que já produz na mesma área e acreditar que o governo brasileiro irá melhorar o transporte da safra e seu amarzenamento. Todo este malabarismo tem como fim baixar custo para ser competitivo lá fora. Esta é a receita de lideranças e economistas paranaenses diante da investida americana.
''O subsídio americano é concorrência desleal para agricultura mundial'', declara Gilda Bozza, economista da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). Ela avalia que será necessário, para enfrentar os subsídios americanos, que o país resolva suas dificuldades de infra-estrutura e logística para escoar a produção agrícola.
A resolução deste problema trará competitividade para o setor, já acostumado a plantar em grande escala, com baixo custo, utilizando tecnologia. Segundo ela, a competitividade da porteira para dentro também terá que ser aumentada para fazer frente à nova política de subsídios americanos.
Sobre a logística, a economista fala que a matriz de transporte no Brasil atua de maneira invertida. Enquanto nos EUA, por exemplo, 61% da produção agrícola é escoada por hidrovia, no Brasil 60% é realizada pelo transporte rodoviário. O transporte rodoviário só é rentável para o escoamento agrícola até 600 quilômetros rodados, mas a média de quilômetros rodado para produção agrícola gira em torno de 2 mil quilômetros.
O alto custo no transporte pressiona o preço da produção agrícola, tornando pouco competitiva no mercado externo. A falta de armazéns também empurraria para cima o custo da produção brasileira. ''Especialistas americanos avaliam que se o Brasil resolvesse a logística e a infra-estrutura, teria uma posição importante no mundo agrícola'', declara Gilda.


