São Paulo - A nova lei agrícola norte-americana, a Farm Bill, aprovada pelo Senado norte-americano, vai afetar quase que de imediato os preços internacionais das principais commodities agrícolas, disse o economista Marcos Sawaya Jank, professor da Universidade de São Paulo (USP). ‘‘Os agricultores norte-americanos terão, a partir de agora, todos os mecanismos de uma lei que vigorou até 1995, quando não existia controle algum sobre a área plantada. Isso significa que o aumento da produção e da oferta certamente deprimirá os preços internacionais’’, disse Jank à Agência Estado, por telefone de Washington, onde vem realizando pesquisas sobre acesso aos mercados agrícolas.
O professor explicou ainda que o grosso dos subsídios previstos no novo orçamento agrícola, de US$ 180 bilhões nos próximos dez anos, está concentrado no preço garantido ao produtor, que, no caso do trigo, é de 43% a mais em relação ao preço de mercado, de 33% no caso do milho, 31% na soja, 114% no arroz e 61% no caso do algodão.
Jank disse também que, embora a Farm Bill venha a prejudicar as negociações comerciais, tanto no âmbito da Alca e como da OMC, não é tão ruim assim para a produção de soja brasileira, pelo menos nos próximos anos. A nova lei aumenta, por exemplo, em 10% o preço mínimo da soja em relação ao preço beneficiado pela lei agrícola anterior.
Esse aumento, entretanto, está aquém dos 39% garantidos para o milho e de 51% para o trigo. ‘‘Como o aumento concedido à soja é menor ao que foi dado ao milho, trigo e algodão, a tendência é que o produtor norte-americano migre para essas culturas’’, disse Jank. Porém, acrescentou o economista, ‘‘a lei arrebenta com os produtores argentinos’’ (trigo e milho).
Jank explicou ainda que a nova lei agrícola dos EUA vai vigorar até 2007, quando, na sua opinião, deverão estar sendo concluídos os acordos no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), e não antes.

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