Genebra - Os subsídios dados por países ricos aos seus fazendeiros não afetam apenas a capacidade de exportar de um país em desenvolvimento, como o Brasil. Dados de um relatório que está sendo publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que os subsídios, aliados à tecnologia, permitem que o agricultor de um país rico consiga ter uma produtividade que pode chegar a ser 650 vezes a produtividade de um fazendeiro de um país pobre.
Segundo o documento, um trabalhador rural no Brasil gera por ano cerca de US$ 4,8 mil. O valor é o dobro do que era produzido no campo há 20 anos e a OIT destaca esse desempenho como um dos mais expressivos nos países em desenvolvimento. O problema é que, nos Estados Unidos, a produtividade de um agricultor atinge US$ 46 mil por ano, parte graças à tecnologia, mas também graças à política de subsídios que permite ampla assistência financeira a um produtor, independentemente de sua competitividade e capacidade técnica.
A alta produtividade não se limita aos Estados Unidos. Na Dinamarca, onde os produtores de leite são amplamente subsidiados, um agricultor produz US$ 37 mil por ano. Há 20 anos, esse mesmo agricultor gerava apenas US$ 11 mil. Na França, o agricultor produz gera por ano US$ 29,9 mil.
O contraste com o mundo em desenvolvimento é chocante. Na China, que conseguiu duplicar a produtividade de seus agricultores nos últimos 20 anos, um trabalhador rural gera, por ano, US$ 786. Em Cuba, a produtividade por trabalhador é de US$ 161 e, no Vietnã, de US$ 74 - 650 vezes menor do que nos EUA.

mockup