O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse ontem que não há confirmação nem proposta formal de eventual adiamento da reunião ministerial da Organização Mundial de Comércio (OMC), marcada para novembro no Catar. O que existe, disse, é um grupo de países temerosos em relação às consequências dos recentes ataques contra os Estados Unidos.

Enquanto isso, representantes dos produtores temem que depois da tragédia de Nova York, os Estados Unidos resolvam endurecer na sua política protecionista, prevendo crise interna diante de conflito bélico com países que abrigam organizações terroristas. Também preocupa a estratégia de retaliação e as represárias desses países aos aliados dos EUA, como o Brasil.


''Por enquanto, só há especulação'', declarou Pratini. Ele informou que no final de outubro os países do Mercosul vão se reunir para discutir a contraproposta da Confederação Nacional de Agricultura (CNA) ao que foi sugerido em julho pela União Européia dentro de um acordo de livre comércio entre os dois blocos.

A proposta da CNA é de que sejam zeradas as tarifas de exportação. Na opinião de Pratini, os países do Mercosul devem respaldar a proposta brasileira.

A hipótese de uma crise mundial prejudicar o mercado das commodities agrícola (na realidade o efeito deveria ser exatemente oposto), o Brasil seria seriamente prejudicado através da soja, do café e do suco de laranja seus principais produtos de exportação. Os analistas, porém, consideram precipitada essa hipótese e preferem aguardar uma definição do quadro político mundial. A princípio, o mercado internacional da soja jamais seria prejudicado pois isto não interessa aos Estados Unidos como grande produtor.

Balança Pratini de Moraes disse ainda que a balança comercial agropecuária deve fechar o ano com superávit, entre US$ 17,5 bilhões e US$ 18 bilhões, contra uma previsão inicial de US$ 17 bilhões. Segundo o ministro, de janeiro a agosto, a balança comercial agropecuária cresceu 25%. O saldo até agosto é de US$ 12,58 bilhões, contra US$ 10,52 bilhões no mesmo período do ano passado.

O ministro explicou que os principais responsáveis pelo salto na balança comercial agropecuária são os produtos do complexo soja, carnes, açúcar e milho. Em contrapartida, segundo o ministro, o País reduziu a importação de produtos lácteos e algodão. Em alguns casos, como no milho e algodão, o País passou de importador a exportador. Pratini disse que o Brasil tem investido no segmento de carnes in natura, explorando novos mercados e aumentando a receita cambial na exportação para países tradicionais. Outros segmentos que aguardam com expectativa o desdobramento da crise é o setor de carnes bovina e de frangos.

No curto prazo um dos primeiros sinais da crise serão dados na próxima segunda-feira, quando as bolsas de commodities do mundo inteiro devem ter seu primeiro expediente após o incidente de terça-feira.

Conforme dados apresentados pelo ministro, a exportação para o Egito, por exemplo, aumentou 2.000%, de US$ 700 mil para US$ 14 milhões. A exportação de carne in natura para a Arábia Saudita aumentou 950%, de US$ 1,7 milhão para US$ 18 milhões.

O ministro está participando em São Paulo do lançamento do programa de carne nelore natural, controlado pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), na Casa da Fazenda, no Morumbi , zona sul.

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