Subsídio europeu ao açúcar também será contestado
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quarta-feira, 08 de maio de 2002
Agência Estado 
Brasília Depois da soja, o próximo contencioso que o Brasil iniciará na Organização Mundial do Comércio (OMC) na área agrícola será contra subsídios dos países europeus ao açúcar. O processo já está pronto e é mais simples do que o da soja, disse o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Pedro de Camargo Neto.
A iniciativa, porém, ainda precisa passar por uma análise política do Ministério das Relações Exteriores, informou o secretário. Os países europeus importam açúcar em bruto produzido por suas ex-colônias no Caribe, na África e no Pacífico. Esse açúcar é processado e reexportado pela Europa.
O Brasil vai alegar que os países europeus não contabilizam os subsídios envolvidos nessa operação dentro do limite atualmente autorizado. O que o Itamaraty está examinando é a possibilidade de a queixa brasileira chocar-se com interesses de aliados, como o Caribe e a África.
A possibilidade do início desse processo provocou reações imediatas dos europeus. O chefe da delegação da União Européia no Brasil, Rolf Timans, se disse preocupado com o fato de o País estar preparando um ataque pelo lado do açúcar. Camargo Neto disse que foi procurado por representantes do governo francês para discutir o assunto.
Na segunda-feira, quando anunciou que o Brasil entraria na OMC contra os subsídios à soja norte-americana, o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, deixou claro que outros processos poderiam ser abertos e citou especificamente o açúcar e o algodão. Este último está ainda incipiente, segundo o coordenador-geral de Contenciosos do Itamaraty, Roberto Azevedo.


