De Buenos Aires Os exportadores de produtos agrícolas, pertencentes a um grupo de países de diferentes graus de desenvolvimento, enfrentarão em 2002 o desafio de derrubar as barreiras do protecionismo na nova rodada de negociações multilaterais de comércio. A 4 Conferência Ministerial da Organização Mundial de Comércio acertou em Doha, Catar, a convocação de uma nova rodada de negociações, que incluirá a área agrícola.
Ao contrário da Rodada Uruguai, cujas deliberações não tiveram prazo e se estenderam por oito anos, as novas negociações se iniciarão em janeiro próximo e terminarão no último dia de 2004. O encurtamento do prazo, todavia, não significa que os assuntos a serem discutidos serão menos delicados, nem que as condições de negociação terão melhorado substancialmente.
O debate agrícola continua sendo entre os países que subsidiam sua produção e exportação e os que exigem uma concorrência sem subvenções. Entre os primeiros, figuram os da União Européia, o Japão, a Coréia do Sul e os Estados Unidos, com diferentes níveis de compromisso com os seus produtores agropecuários e, portanto, com diferentes montantes de ajuda. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), conformada pelos 31 países industrializados, estimou que os seus membros gastam um conjunto de US$ 1 bilhão diários em subsídios agrícolas diretos e indiretos.
Entre os países que não subvencionam a sua agricultura há 18 bem eficientes em matéria de produção, integrantes do Grupo de Cairns, que exige um comércio sem subsídios e sem barreiras alfandegárias. São eles: Argentina, Austrália, Bolívia, Brasil, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Chile, Fiji, Filipinas, Guatemala, Indonésia, Malásia, Nova Zelândia, Paraguai, África do Sul, Tailândia e Uruguai.
Sob intensa pressão, essas nações conseguiram em Doha que a UE aceitasse discutir a ''eliminação progressiva'' dos subsídios às exportações, uma redução ''substancial'' do apoio estatal à produção interna e um compromisso ''a favor do acesso aos mercados sem prejulgar o resultado das negociações''.
Se o principal êxito da Rodada Uruguai foi ter introduzido a agricultura nas discussões, no mesmo nível da indústria e dos serviços, a nova rodada enfrentará o também novo desafio das teorias européias sobre a sustentabilidade de sua paisagem ou o bem estar de produtores e animais. Com o nome de ''multifuncionalidade'', essa teoria, que permite aos produtores europeus receber elevados subsídios, defende o direito dos cidadãos de manter a paisagem rural, a qualidade de vida dos produtores e o bem estar do gado.

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