Subsídio agrícola não cai e reunião da OMC pode fracassar
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quarta-feira, 14 de novembro de 2001
Agência Estado<br>De Doha, Catar 
A Organização Mundial do Comércio estava à beira de mais um fracasso histórico, ontem, enquanto ministros e diplomatas tentavam acertar o lançamento de um rodada global de negociações comerciais. As discussões sobre comércio agrícola, ambiente e os chamados temas de Cingapura como políticas de investimento continuavam travadas. Brasil e outros exportadores agrícolas estavam dispostos a fazer concessões nos temas ambientais, em troca de um acordo sobre política agrícola. Os europeus têm grande interesse político nos dois assuntos e vários deles estavam propensos a um entendimento. A França mantinha a resistência.
Num esforço para aproximar posições, um grupo restrito se havia reunido a partir do fim da tarde. O núcleo desse grupo era formado por 10 ou 11 pessoas: o secretário-geral da OMC, Mike Moore; o presidente do Conselho Geral, Stuart Harbison; o presidente da Conferência, Youssef Hussain Kamal, ministro do Comércio do Catar; dois conselheiros, os ''homens sábios''(Celso Lafer, do Brasil e Youssef Boutros-Ghalli, do Egito) e seis ministros.
O grupo ficou numa sala chamando para discussões os principais interessados em cada tema até o final da noite. Começou logo depois um encontro de todos os chefes de delegação, para um relatório sobre a situação dos trabalhos. Por volta de meia-noite, o grupo voltou à sala, para retomar a tentativa de aproximação das posições.
Uma expressão inglesa, ''phasing out'', continuava a ser o pivô do impasse na questão de agricultura. Essa expressão indica, no texto proposto para a declaração ministerial, um compromissao de eliminação gradual dos subsídios a exportação. Os europeus, principalmente os franceses, vinham resistindo a essa redação. Usar essas palavras, segundo eles, implicaria determinar o resultado final de negociações, que poderão levar alguns anos. Estados Unidos, Brasil e mais 15 países do Grupo de Cairns haviam acertado a posição a favor desse texto.
Os europeus estavam claramente isolados na discussão. ''Querem nos por num córner e passar por cima com uma motoniveladora'', havia dito um funcionário da Comissão Européia. A Europa, segundo esse funcionário, apenas pedia que os outros fossem razoáveis. Em relação aos subsídios, afirmou, os europeus já haviam definido um rumo, era clara sua disposição de reduzi-los e estavam dispostos a negociar a velocidade dessa política. Horas mais tarde, já depois da meia-noite, circulou a informação de que a idéia de rumo, ou direção, poderia ser a chave para um acordo de linguagem. Por volta de uma hora da madrugada, no entanto, ninguém poderia dizer se a proposta forneceria a solução do problema.


