Subsídio agrícola na Europa não vai ser discutido, afirma alemão
Subsídio agrícola na Europa não vai ser discutido, afirma alemão
Marie Hippenmayer/France PresseOs coordenadoresLuiz Gonzales, representante do México, Castro Lima, do Brasil e Geog Boomgaarder, da AlemanhaA menos de 72 horas do início da conferência dos chefes de Estado e de governo da Cimeira, permanecem divergências em torno da abrangência das negociações que serão fechadas na reunião. O embaixador da Alemanha para a América Latina, Georg Boomgaarder, um dos coordenadores do encontro, afirmou ontem que a Cimeira não é uma conferência unicamente econômica e que a questão dos subsídios agrícolas europeus, considerados obstáculos à entrada de produtos do Mercosul na Europa, só poderá ser discutida após abril de 2000.
Suas declarações contrastaram com as de outro coordenador, o brasileiro Luiz Augusto de Castro Lima, que se mostrou mais otimista e defendeu o avanço nas discussões sobre livre-comércio.
O alemão explicou que em abril de 2000 será realizada em Berlim uma grande reunião da Agenda 2000 na Europa, onde poderá ser mudado o sistema agrícola europeu, caracterizado por altos subsídios à agricultura local, que tornam produtos agropecuários importados pela União Européia pouco competitivos. Sem isso, é muito difícil negociar com o Mercosul, explicou.
A questão é de forte interesse para a América Latina, cujos produtos agropecuários são atingidos pelas medidas protecionistas da UE. Segundo ele, após a reunião as negociações poderão ser feitas, dependendo das mudanças políticas que ocorrerem. Não são os chefes de Estado que negociam, são os negociadores, ponderou. Para ele, o principal documento da Cimeira será uma declaração política.
Neves afirmou acreditar que as trocas internacionais poderão se expandir muito mais e de forma equilibrada, se ocorrem medidas de liberalização. Ele lembrou que, desde o início dos anos 90, as vendas da UE para o Mercosul cresceram 334%, contra um aumento de menos de 30% no sentido inverso. É preciso equilibrar essas cifras, afirmou.
Ele lembrou que o México já está em fase mais avançada nas negociações com a UE. Suas palavras foram apoiadas por outro brasileiro, José Alfredo Graça Lima, subsecretário-geral de Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior do Itamaraty.
Uma área de livre-comércio ou esforços para liberalização comercial não excluem outros assuntos, afirmou. São repercussões de toda ordem. Lima afirmou que é a liberalização que traz o equilíbrio e a possibilidade de avanço. Ele reconheceu que interessa ao Mercosul entrar na discussão sobre reforma na política agrícola, inclusive na Organização Mundial de Comércio (OMC).
Em entrevista ao lado do alemão e do mexicano Carlos de Icaza, outro dos coordenadores, Neves explicou que o documento principal, a declaração política - cujo nome, provavelmente, será Declaração do Rio de Janeiro - está 98% pronto. O que resta são problemas que podem ser resolvidos por negociação, afirmou ele, sem entrar em detalhes.
Sucinto, o texto deverá ter de seis a oito páginas, com os compromissos políticos dos chefes de Estado e de governo com relação à proposta de intensificar a cooperação bilateral.





