A partir do dia 26 de fevereiro a participação da Copel nas ações da Sercomtel Telecomunicações e Sercomtel Celular pode ser gerenciada pela Copel Participações, empresa subsidiária da Copel. Criada em julho de 2001, a subsidiária é responsável pelo gerenciamento das participações acionárias da Copel – no caso da Sercomtel, a empresa tem 45% das ações. Além dessa subsidiária, a Copel congrega mais quatro: Copel Gestão, Copel Transmissão, Copel Distribuição e Copel Telecomunicações.
Segundo o presidente do Conselho de Administração da Sercomtel, Francisco Roberto Pereira, a transferência é ‘‘simplesmente devido a fatores de logística’’, e só deve passar a valer depois da aprovação da assembléia extraordinária com representantes acionistas da empresa, isto é, a Prefeitura e a Copel. A reunião está marcada para 15 horas, do dia 26 de fevereiro.
Outro assunto que será apresentado na assembléia é a incorporação das ações do Onda – Provedor de Serviços S.A. ao patrimônio da Sercomtel, que detém 24% das ações. Pereira explicou que no final de dezembro a Copel decidiu pela dissolução da empresa Companhia Nacional de Intervias (CNI), na qual a Sercomtel também era sócia, para manter o provedor Onda. A CNI era uma empresa intermediária criada para representar os interesses da Sercomtel e da Copel no fomento de novas tecnologias.
‘‘Essa decisão foi tomada com o objetivo de reduzir custos, e agora Sercomtel e Copel são sócios diretos, sem intermediários’’, diz. Além dessas duas empresas, o grupo Inepar e a Gazeta do Povo fazem parte do Onda.
Pereira também informa que o provedor Internet by Sercomtel continua funcionando, com abrangência só em Londrina, mas que espera conseguir agilizar a expansão desse serviço.
PolêmicaConsiderada um dos principais patrimônios de Londrina, a possibilidade de venda da Sercomtel Celular, no ano passado, foi alvo de intenso debate político na cidade, comparado à polêmica sobre a venda da Copel. Um plebiscito, em que participaram 11% dos eleitores, decidiu pela não venda da empresa, mas essa hipótese ainda não foi totalmente descartada pela administração atual, que teme pela falta de recursos para manter competitividade no mercado de telefonia.
A relação Copel/Sercomtel também foi polêmica em 99, um ano depois da venda de 45% das ações da empresa de telefonia para a Copel – um negócio avaliado em R$ 186 milhões. Diversas denúncias de irregularidas foram feitas e a Polícia Federal ainda está apurando essa transação comercial. Entre as denúncias, há informações de que no segundo semestre de 96, a Prefeitura emprestou R$ 10,5 milhões do banco FonteCindam e outros R$ 10,5 milhões do Sudameris, caucionando ações da empresa em garantia. Em maio de 98, a dívida foi quitada por R$ 39,8 milhões diretamente pela Copel, que já havia comprado 45% das ações da Sercomtel.
Em depoimento prestado à PF, no final de outubro de 2001, o ex-superintende da Sercomtel, Rubens Pavan, afirmou que o pagamento da dívida diretamente pela Copel estava prevista em contrato e seguiu orientação da assessoria jurídica da Copel. Pavan também informou que a Copel ainda pagou uma dívida de R$ 17 milhões da Prefeitura junto ao Banestado Corretora.

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