Na visão da economista Silvia Matos, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), a subida de juros perdeu efeito na economia. Entre os motivos para isso estão a falta de credibilidade da equipe econômica, o fato de a Selic ter ficado baixa por muito tempo (de agosto de 2012 a abril de 2013, na casa de 7,00%) e os gastos públicos em alta, gerando demanda por parte do governo.
O baixo crescimento seria, assim, fruto de problemas estruturais e não do efeito da alta de juros. A falta de competitividade da indústria é um bom exemplo. Além disso, o mercado de trabalho segue aquecido, com desemprego em baixa e rendimentos ainda subindo acima da inflação em parte por questões demográficas, portanto, estruturais, o que dificulta a ação dos juros sobre a inflação.
Enquanto o crescimento dá sinais de fraqueza, a inflação segue firme, próxima ao teto da meta de 4,5% pelo IPCA, com tolerância de dois pontos a mais ou a menos. Em abril de 2013, o Focus apontava IPCA em 5,68%, mas o dado apurado pelo IBGE ficou em 5,91%. No boletim da semana passada, a expectativa para a inflação deste ano está em 6,43%, contra 5,7% um ano antes.
Para Silvia, os problemas estruturais explicam o paradoxo de a inflação seguir pressionada, mesmo com baixo crescimento. "Para a inflação ficar em 4,5% (centro da meta), a economia tem que fazer uma recessão ou, provavelmente, ter baixo crescimento por mais tempo", diz a economista do Ibre/FGV, para quem o Brasil está num quadro "muito próximo" da "estagflação".
Já o economista-chefe da consultoria LCA, Braulio Borges, chama atenção para um elemento importante entre a atividade fraca e a inflação pressionada: a taxa de câmbio. Em abril de 2013, esperava-se câmbio de R$ 2,00 no fim do ano e de R$ 2,05 no fim de 2014, segundo o Boletim Focus de 12 de abril de 2013, antes, portanto, de o Banco Central dos EUA anunciar que reduziria estímulos. Porém, o dólar fechou o ano passado em R$ 2,36 e, hoje, está em R$ 2,22. A última edição do Focus aponta R$ 2,45 para o fim deste ano. "O câmbio está poluindo um pouco o repasse da atividade mais fraca para a inflação", constata Borges. (V.N.)

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