O que se observa conversando com os ambulantes é que eles podem ser divididos em três categorias: os que trabalham por conta própria, os que são ''donos do negócio'' e contam com o trabalho de outras pessoas e os que trabalham para os ''empreendedores''. Outra constatação é que uma boa parte deles está apenas de passagem por Londrina ou mora na cidade há pouco tempo. Alguns vem de outros estados e até de países vizinhos.
O vendedor ambulante Carlos Alberto Saturnino mora em São Paulo e percorre as maiores cidades do País com uma equipe de quatro vendedores de ''mini-antenas parabólicas''. Assim que alguém ameaça parar por curiosidade, ele já começa a falar sobre as vantagens e o preço do produto e antes que a pessoa manifeste qualquer reação já informa que o valor é ''negociável''. Saturnino afirma que os critérios para escolher as cidades são o número de habitantes e o poder aquisitivo da população. Ele considera que ''é fácil'' trabalhar como ambulante em Londrina e diz que em outras cidades, como Campinas e Jundiaí, no interior de São Paulo, ''a fiscalização é bem intensa''.
Saturnino trabalha como ambulante há dois anos. ''Fiz esta opção por falta de trabalho (formal). Além disso, a remuneração é muito baixa para você trabalhar em uma empresa. Antigamente, a gente tinha um piso (salarial), mas hoje em dia eles só falam que tem piso, mas não existe nenhum piso''.
O ambulante José de Miranda Bastos prefere ser qualificado como ''vendedor autônomo''. Ele é do interior da Bahia e demonstra a tranquilidade característica dos sertanejos nordestinos. Nem a notícia de que a fiscalização estava se aproximando o afastou do local. Bastos veio para Londrina para trabalhar em uma indústria, de onde saiu há dois anos. ''Estou trabalhando aqui porque não arrumo emprego fixo, acho que por causa da minha idade''. E qual a sua idade? ''43 anos'', responde.
Bastos diz que os fiscais da Prefeitura só vão ao Calçadão acompanhados da Polícia. ''Se eles aparecerem, carregam tudo; não sobra nada.'' O vendedor baiano diz que já levaram suas mercadorias duas vezes e que se levassem o que tem em mãos hoje ''o prejuízo seria de 400 reais''.
Outra ambulante que prefere ser identificada apenas por Rose diz que ''é de Londrina mesmo'' e busca as mercadorias no Paraguai. ''A gente precisa trabalhar para dar sustento para nossos filhos, para pagar nossas contas. Eu acho que é melhor a gente trabalhar do que sair roubando por aí. A Polícia e os fiscais estão mais atrás de nós que estamos trabalhando honestamente do que atrás dos ladrões que ficam aí roubando''.

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