SUAS COMPRAS Indústria de cosméticos se volta para o público negro
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segunda-feira, 27 de abril de 2009
Eli Araujo<br> Reportagem local 
Pele negra e cabelos crespos estão ganhando a atenção da indústria de cosméticos e a produção de produtos específicos às suas necessidades. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, o setor registra um crescimento médio anual em torno de 10% nos últimos 13 anos. Apesar da diversidade de produtos, como hidratantes, shampoos e maquiagens, que começa a ocupar espaço nas prateleiras, a entidade não dispõe de dados específicos sobre a qualidade ou quantidade do que é ofertado.
As irmãs e modelos Karina e Christiane Quintiliano são consumidoras assíduas de cosméticos para mulheres de pele negra. Elas reclamam, entretanto, que além da pequena variedade e de poucos pontos de venda, tais produtos custam bem mais que similares. ''A gente tem que sair garimpando e só encontra nas grandes lojas de cosméticos ou casas de produtos importados'', afirma Christiane. Segundo ela, o preço de uma base pode chegar a R$ 160,00.
Karina afirma que há muita diferença entre os cosméticos específicos para todos os tipos de pele. Por isso, o uso é inevitável, apesar do preço. Christiane acrescenta que é preferível não usar certos produtos porque o resultado não seria satisfatório. ''A pele negra tem uma textura diferente, da mesma forma que o cabelo dá um pouco mais de trabalho para ficar macio e chegar ao penteado correto''.
As duas irmãs são solicitadas com frequência para participar de desfiles ou de produções para revistas e precisam levar seus próprios cosméticos. ''Se os maquiadores tentam encaixar alguma coisa que não é adequada à nossa pele, causa um efeito contrário; e o que era para ficar bom, fica ruim'', diz Christiane. Karina argumenta que os maquiadores não têm esses produtos porque em um universo de 500 modelos apenas três ou quatro são negras.
Na opinião de Christiane, o fator custo dificulta o acesso a esses produtos. ''Se a gente for discutir, cai na questão social, de poder aquisitivo mesmo. Tem muita mulher negra bonita, que é vaidosa, mas não tem oportunidade de se cuidar ou condições de adquirir esses produtos'', diz.
Para ela, a indústria brasileira deveria olhar com mais carinho para este segmento, assim como acontece em outros países. ''Tenho uma amiga que mora na Inglaterra e ela diz que lá é comum os produtos específicos para a pele negra. E aí fico pensando porque isso não acontece aqui?''
As irmãs dizem que não existe apenas a falta de produtos, mas também de profissionais de beleza especializados na linha afro. Por isso, quase toda a produção de ambas é feita em casa mesmo, com a ajuda da mãe, dona Arinda Luiza. De acordo com Karina, dependendo o tipo de tratamento no cabelo, o custo pode ser de R$ 300,00. Só em cosméticos elas gastam cerca de R$ 500,00 por mês.


