SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de março de 2010
Larissa Ayumi Sato<br> Especial para a FOLHA 
Estilo, funcionalidade, praticidade e grife. Atualmente, os relógios de pulso deixaram de ser um objeto usado somente para acompanhar as mudanças de horário. No mercado do luxo - em franco crescimento no Brasil - os relógios ganharam status e passaram a ser itens de desejo. São diversas as opções de modelos e de marcas disponíveis para o consumidor em um mercado altamente rentável. Segundo projeção da consultoria Packaged Facts, o mercado global de relógios movimentará cerca de US$ 7,8 bilhões de dólares neste ano.
E para ganhar a atenção dos consumidores, as indústrias têm investido em inovações, como design, novos materiais, pedrarias, cores, estilos, diferentes formas de decoração e de personalização. Aliás, algumas marcas já oferecem esse diferencial a seus clientes. Mondaine, Technos e Citizen, por exemplo, disponibilizam em seus sites a possibilidade de customização com logomarcas de clientes, entre bancos e empresas multinacionais.
Nas relojoarias, os modelos existentes geralmente se dividem entre automáticos, que funcionam com um mecanismo de recarga baseado na energia gerada pelo movimento do pulso do usuário; e os movidos a bateria (chamados de quartzo), que precisam ser trocadas, em média, a cada três anos. No entanto, os primeiros chegam a custar o dobro do que os segundos. Segundo o gerente da Relojoaria Gouveia, Lincoln Kato, há mais opções de modelos quartzo, que são mais leves e apresentam menos problemas. Também há outras opções, como os movidos a energia solar e de pilha recarregável (que utilizam o mecanismo automático quando estão no pulso e a bateria quartzo quando estão em repouso).
Além disso, o consumidor pode escolher entre os digitais, de ponteiros ou misto (com as duas opções). Também há funções adicionais, que diferenciam modelos e marcas, como cronômetros, calendários, lanterans, despertadores, entre outros itens.
Consumo
De acordo com Márcia Takamori, proprietária da Ótica e Relojoaria Takamori, o perfil dos consumidores foi modificado ao longo dos anos. ''Há 20 anos se vendia muito, mas com a globalização o produto se tornou descartável'', afirma. Se anteriormente as pessoas buscavam relógios resistentes, hoje optam pelo design. Em relojoarias, o preço de importados varia entre R$ 300 e R$ 1,5 mil. Na avaliação da vendedora Ivone Irmer, responsável pela compra de relógios na Relojoaria Sino de Ouro (de Arapongas), ter relógios de grifes virou sinônimo de poder aquisitivo.
''Relógio também é um acessório e, atualmente, ter um modelo de grife é ostentar uma marca. É status'', observa Ivone. Segundo ela, as mulheres, por exemplo, compram modelos para combinar com diferentes estilos. E, apesar da diversidade de produtos, há ainda consumidores que não abrem mão daquele relógio de estimação. ''Mesmo que não seja economicamente viável, muitos ainda preferem investir em manutenção do 'amigo de todas as horas'. Fica mais caro o molho do que o peixe'', avalia Márcia Takamori.
Objetos de desejo e de coleção
Os relógios podem ainda despertar lembranças e representar diferentes fases da vida. Para o artista plástico José Gonçalves, era um prêmio para quando alcançava boas notas na escola ou algum outro feito, na infância. Não era comum como hoje. Era uma coisa mais mistificada, um objeto mais caro, observa. Muitas vezes, era interessante porque ganhava o relógio que era do pai, um objeto caro, de marca boa, que tinha batalhado para conseguir comprar. Um deles é guardado como relíquia, na casa de sua mãe.
Atualmente, o artista possui uma pequena coleção de cerca de 20 relógios. Com o tempo, costuma presentear sobrinhos ou amigos com aqueles que perdem sua preferência. Como eu só tenho um braço, dou preferência para o mais atual, o que gosto mais, diz. Na sua avaliação, os relógios têm valor sentimental. Lembram um momento, marcam uma época da vida e a escolha do modelo a ser usado depende do momento, do estilo e do conforto. Sua preferência é pelos mais atuais, que compra quando viaja para o exterior. Acabam saindo bem mais em conta, afirma. Entre suas marcas preferidas, encontram-se Armani, Diesel, Kenneth Cole e Swatch.
Ao comprar um relógio, José Gonçalves escolhe uma boa marca, mas não muito cara, com pulseira metálica. Em sua opinião, o importante é observar o design, a tendência de moda e identificar-se com o produto.
Já o empresário Altair Bernardes aprecia marcas como Rolex, Breitling, Mont Blanc e Victorinox, e começou sua coleção há cerca de dez anos, quando começou a comprá-los para guardar e se aprofundar no assunto. Seus estilos são o tradicional e esportivo. Além disso, utiliza relógios automáticos porque raramente precisam ser abertos para manutenção. Apesar de usar mais apenas um deles, ele tem cerca de 30 modelos. Para se atualizar com as novidades, Bernardes pesquisa os sites das marcas pela internet.
Segundo o empresário, há bons relógios nacionais no mercado, inclusive, com qualidade muito próxima a de similares importados, porém, sem grife. (L.A.S.)


