Estilo, funcionalidade, praticidade e grife. Atualmente, os relógios de pulso deixaram de ser um objeto usado somente para acompanhar as mudanças de horário. No mercado do luxo - em franco crescimento no Brasil - os relógios ganharam status e passaram a ser itens de desejo. São diversas as opções de modelos e de marcas disponíveis para o consumidor em um mercado altamente rentável. Segundo projeção da consultoria Packaged Facts, o mercado global de relógios movimentará cerca de US$ 7,8 bilhões de dólares neste ano.
E para ganhar a atenção dos consumidores, as indústrias têm investido em inovações, como design, novos materiais, pedrarias, cores, estilos, diferentes formas de decoração e de personalização. Aliás, algumas marcas já oferecem esse diferencial a seus clientes. Mondaine, Technos e Citizen, por exemplo, disponibilizam em seus sites a possibilidade de customização com logomarcas de clientes, entre bancos e empresas multinacionais.
Nas relojoarias, os modelos existentes geralmente se dividem entre automáticos, que funcionam com um mecanismo de recarga baseado na energia gerada pelo movimento do pulso do usuário; e os movidos a bateria (chamados de quartzo), que precisam ser trocadas, em média, a cada três anos. No entanto, os primeiros chegam a custar o dobro do que os segundos. Segundo o gerente da Relojoaria Gouveia, Lincoln Kato, há mais opções de modelos quartzo, que são mais leves e apresentam menos problemas. Também há outras opções, como os movidos a energia solar e de pilha recarregável (que utilizam o mecanismo automático quando estão no pulso e a bateria quartzo quando estão em repouso).
Além disso, o consumidor pode escolher entre os digitais, de ponteiros ou misto (com as duas opções). Também há funções adicionais, que diferenciam modelos e marcas, como cronômetros, calendários, lanterans, despertadores, entre outros itens.
Consumo
De acordo com Márcia Takamori, proprietária da Ótica e Relojoaria Takamori, o perfil dos consumidores foi modificado ao longo dos anos. ''Há 20 anos se vendia muito, mas com a globalização o produto se tornou descartável'', afirma. Se anteriormente as pessoas buscavam relógios resistentes, hoje optam pelo design. Em relojoarias, o preço de importados varia entre R$ 300 e R$ 1,5 mil. Na avaliação da vendedora Ivone Irmer, responsável pela compra de relógios na Relojoaria Sino de Ouro (de Arapongas), ter relógios de grifes virou sinônimo de poder aquisitivo.
''Relógio também é um acessório e, atualmente, ter um modelo de grife é ostentar uma marca. É status'', observa Ivone. Segundo ela, as mulheres, por exemplo, compram modelos para combinar com diferentes estilos. E, apesar da diversidade de produtos, há ainda consumidores que não abrem mão daquele relógio de estimação. ''Mesmo que não seja economicamente viável, muitos ainda preferem investir em manutenção do 'amigo de todas as horas'. Fica mais caro o molho do que o peixe'', avalia Márcia Takamori.




Ob­je­tos de de­se­jo e de co­le­ção



Os re­ló­gios po­dem ain­da des­per­tar lem­bran­ças e re­pre­sen­tar di­fe­ren­tes fa­ses da vi­da. Pa­ra o ar­tis­ta plás­ti­co Jo­sé Gon­çal­ves, era um prê­mio pa­ra quan­do al­can­ça­va ­boas no­tas na es­co­la ou al­gum ou­tro fei­to, na in­fân­cia. Não era co­mum co­mo ho­je. ‘‘Era uma coi­sa ­mais mis­ti­fi­ca­da, um ob­je­to ­mais ­caro’’, ob­ser­va. Mui­tas ve­zes, era in­te­res­san­te por­que ga­nha­va o re­ló­gio que era do pai, um ob­je­to ca­ro, de mar­ca boa, que ti­nha ba­ta­lha­do pa­ra con­se­guir com­prar. Um de­les é guar­da­do co­mo re­lí­quia, na ca­sa de sua mãe.
Atual­men­te, o ar­tis­ta pos­sui uma pe­que­na co­le­ção de cer­ca de 20 re­ló­gios. Com o tem­po, cos­tu­ma pre­sen­tear so­bri­nhos ou ami­gos com aque­les que per­dem sua pre­fe­rên­cia. ‘‘Co­mo eu só te­nho um bra­ço, dou pre­fe­rên­cia pa­ra o ­mais ­atual, o que gos­to ­mais’’, diz. Na sua ava­lia­ção, os re­ló­gios têm va­lor sen­ti­men­tal. Lem­bram um mo­men­to, mar­cam uma épo­ca da vi­da e a es­co­lha do mo­de­lo a ser usa­do de­pen­de do mo­men­to, do es­ti­lo e do con­for­to. Sua pre­fe­rên­cia é pe­los ­mais ­atuais, que com­pra quan­do via­ja pa­ra o ex­te­rior. ‘‘Aca­bam sain­do bem ­mais em ­conta’’, afir­ma. En­tre ­suas mar­cas pre­fe­ri­das, en­con­tram-se Ar­ma­ni, Die­sel, Ken­neth Co­le e ­Swatch.
Ao com­prar um re­ló­gio, Jo­sé Gon­çal­ves es­co­lhe uma boa mar­ca, mas não mui­to ca­ra, com pul­sei­ra me­tá­li­ca. Em sua opi­nião, o im­por­tan­te é ob­ser­var o de­sign, a ten­dên­cia de mo­da e iden­ti­fi­car-se com o pro­du­to.
Já o em­pre­sá­rio Al­tair Ber­nar­des apre­cia mar­cas co­mo Ro­lex, Brei­tling, ­Mont ­Blanc e Vic­to­ri­nox, e co­me­çou sua co­le­ção há cer­ca de dez ­anos, quan­do co­me­çou a com­prá-los pa­ra guar­dar e se apro­fun­dar no as­sun­to. ­Seus es­ti­los são o tra­di­cio­nal e es­por­ti­vo. ­Além dis­so, uti­li­za re­ló­gios au­to­má­ti­cos por­que ra­ra­men­te pre­ci­sam ser aber­tos pa­ra ma­nu­ten­ção. Ape­sar de ­usar ­mais ape­nas um de­les, ele tem cer­ca de 30 mo­de­los. Pa­ra se atua­li­zar com as no­vi­da­des, Ber­nar­des pes­qui­sa os si­tes das mar­cas pe­la in­ter­net.
Se­gun­do o em­pre­sá­rio, há ­bons re­ló­gios na­cio­nais no mer­ca­do, in­clu­si­ve, com qua­li­da­de mui­to pró­xi­ma a de si­mi­la­res im­por­ta­dos, po­rém, sem gri­fe. (L.A.S.)

mockup