O início do ano para pais com filhos em idade escolar não é nada fácil. Rematricular os pequenos, comprar os materiais, o uniforme, a lancheira e a mochila. Este último item, muitas vezes, é escolhido somente pela beleza. Personagens infantis em alta e cores da moda são requisitos essenciais para que as crianças se apaixonem por bolsas que, nem sempre, são as mais adequadas.
Leandro Cavichiolo, gerente de loja, afirmou que a venda de mochilas aumentou consideravelmente esse ano, em relação a 2009. ''Aqui na loja temos bolsas de R$ 20 até R$ 300. Mas o que a gente percebe é que, apesar de serem mais caras, as que mais saem são aquelas com os personagens que as crianças gostam''. Ainda segundo Cavichiolo as mais caras têm, sim, algumas vantagens em relação as outras, como: alças anatômicas e mais bolsos internos para a distribuição do peso, mas ''a maioria dos pais não compra a mochila por esses motivos''.
Eidy Zacharias de Lima, gerente de outra loja, também afirma que as vendas praticamente dobraram esse ano. Ela conta que poucos pais fazem a criança experimentar a mochila para ver se estão confortáveis. ''Muitos pais reclamam que as bolsas da moda são caras, mas acabam cedendo aos apelos dos filhos''. Eidy conta que as crianças chegam à loja e correm para as prateleiras com as mochilas mais chamativas. ''Existem bolsas que vêm com chaveiros, ursinho, apliques e cores fortes. Não tem como passar despercebido. Criança gosta de acessórios diferentes'' enfatiza.
''Os pais podem comprar as mochilas da moda para as crinças, desde que elas fiquem atentas a alguns requisitos básicos'', afirma o ortopedista e traumatologista José Antônio Rocco. Existem alguns pontos importantes que devem ser observados nas mochilas escolares antes da compra. ''As alças devem ser largas e anatômicas e a criança não pode carregar mais do que 10% do peso corporal''. No entanto, segundo o médico não há motivo para pânico. ''Nenhuma mochila vai deformar a coluna de uma criança porque ela é usada de 20 a 30 minutos por dia, no máximo. Geralmente quem apresenta deformidades na coluna tem predisposição genética para a doença. O que pode acontecer é a criança sentir dores e desconforto'' explica.


­Pais ce­dem aos ape­los dos fi­lhos

Lu­cia­ne Min­glin com­prou a mo­chi­la da fi­lha, de 6 ­anos, por cau­sa da per­so­na­gem. ‘‘A Ga­briely gos­ta da Bar­bie, en­tão quan­do viu a mo­chi­la não ti­ve co­mo não ­comprar’’, con­ta. A ­maior par­te dos ma­te­riais es­co­la­res de crian­ças abai­xo dos 8 ­anos não fi­cam na ca­sa dos es­tu­dan­tes. ‘‘A maio­ria dos ma­te­riais de­la es­tão na es­co­la, por is­so ­acho que a mo­chi­la não fi­ca pe­sa­da. Mas vou pres­tar aten­ção pa­ra quan­do ela fi­car ­mais ve­lha e ti­ver que le­var vá­rios li­vros e ca­der­nos pa­ra a ­escola’’ afir­ma.
Cris­tia­ne de As­sis Ban­dei­ra, mãe de ­João Vic­tor, per­ce­beu que ele tem fi­ca­do com a co­lu­na cur­va­da em ca­sa. ‘‘Ele ain­da não le­va mui­tos ma­te­riais pa­ra a es­co­la, mas ten­to cui­dar da pos­tu­ra de­le em ca­sa tam­bém, quan­do sen­ta no so­fá, por ­exemplo’’ ex­pli­ca. A mo­chi­la do me­ni­no é de ro­di­nhas, uma das ­mais ade­qua­das pa­ra crian­ças pe­que­nas. ‘‘Não que­ro que ele co­me­ce a sen­tir do­res nas cos­tas e, por is­so, sem­pre ve­jo o pe­so da ­mochila’’ con­clui. (P.B.O.)

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