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Uma coisa é certa: quem tem carro, lava o veículo. E, seja em casa, num posto de combustíveis ou num lavarápido, geralmente se gasta muita água. Conforme o tempo de abertura da mangueira, o consumo pode variar de 100 até 400 litros. Uma maneira de economizar em casa é lavar o carro com balde, mas já existe no mercado a chamada lavagem ecológica, também conhecida como lavagem a seco, que permite deixar o carro limpo com o uso de apenas 300ml de um produto biodegradável.
Nos Estados Unidos, Europa e Japão a técnica é utilizada há mais de duas décadas. Em Maringá, o serviço foi implantado há cerca de seis anos no estacionamento do shopping Maringá Park, e uma filial da empresa funciona há menos de um mês no estacionamento do shopping Catuaí, em Londrina. Dono de um carro branco e autodeclarado como um consumidor chato quando se fala em cuidar do veículo, o comerciante David Krochmalnik afirma que experimentou a lavagem ecológica há pouco mais de cinco anos.
Depois disto, ele diz que nunca mais voltou a um lavarápido convencional. ''O carro branco é difícil de manter limpo, sem contar que moramos numa região de terra vermelha. Aqui existe um produto específico para a cor branca. Parece que o carro sai sempre novo'', afirma. Krochmalnik não economiza, faz a lavagem ecológica no máximo a cada quinze dias e garante que a cera utilizada ajuda a evitar um outro inconveniente.
''Maringá é muito arborizada e tem muitos pássaros. Se os 'cocozinhos' caem num carro sem nenhuma proteção, mancha a pintura. Com a cera que usam no meu veículo, é só passar um paninho. Fica bem fácil de limpar'', diz. A dona de casa Helena Ferreira afirma que a primeira impressão do serviço foi boa. Ela aproveitou a ida ao shopping e decidiu lavar o carro. ''Acho que ficou bom e vou voltar'', avalia. Helena conta que antes a lavagem era feita em casa. ''Mas a mangueira ficava aberta por muito tempo e gastava bastante água'', diz.
Na opinião do executivo de contas César Takashi Ogasawara a lavagem ecológica também está aprovada. ''É interessante, porque além de não gastar água, fica bem limpo. Outra vantagem é que não mancha a pintura. Vale a pena, mesmo que o custo seja um pouco mais alto'', diz. A lavagem mais simples externa e interna de um carro de passeio sai por R$ 30. Mas existe um desconto de R$ 3, já que as primeiras 4 horas de estacionamento do shopping em Maringá são pagas pela empresa de lavagem ecológica.
Segundo os empresários, o mesmo benefício é oferecido na filial de Londrina. Os dois comerciantes e um advogado que há seis meses investiram no negócio e mudaram a marca da empresa em Maringá também garantem que vão distribuir em Londrina o cartão fidelidade. ''Em dez lavagens, damos 20% de desconto. A primeira e a última são gratuitas. A primeira é uma cortesia para que o cliente possa conhecer o sistema e conferir se vale a pena'', afirma Eliezer Souza, um dos sócios da Top Dry.
Outro sócio da empresa, Sheder Chagas, explica que uma das grandes dificuldades do negócio é convencer o cliente de que é possível deixar o carro limpo sem usar um monte de água. ''Esta mudança de cultura leva tempo'', diz. Segundo os empresários, muita gente conhece o sistema como lavagem a seco e não lavagem ecológica e tem receio de que o carro vai ficar riscado. ''Pode até acontecer de riscar, mas garantimos que uma lavagem normal risca e agride muito mais a pintura dos veículos'', garante Souza.
Quantidade de resíduos é próxima de zero
Um dos sócios da Top Dry, Sheder Chagas, explica que mesmo um carro cheio de barro pode ser limpo com a lavagem ecológica. Segundo ele, quando o produto usado, que é feito à base de cera de carnaúba, entra em contato com a sujeira, é formada uma espécie de cápsula sobre os resíduos. Depois é só passar o pano e a superfície do automóvel fica limpa, diz. O mesmo procedimento, de acordo com Chagas, também permite fazer a lavagem do motor, sem provocar nenhum risco para os componentes eletrônicos do veículo.
Os resíduos da lavagem ecológica são mínimos. Chagas explica que o pano utilizado na limpeza é levado a uma lavanderia industrial e reaproveitado algumas vezes. Já nas ocasiões em que cai terra do carro no chão da empresa, eles simplesmente varrem e jogam no lixo comum. O que chama atenção é que no lixo da empresa há mais resíduos dos lixinhos que ficam nos carros do que qualquer outra coisa.
O interessante é que, ao menos em Maringá, a legislação não previa este tipo de lavagem ecológica. Por conta disto, tivemos que construir uma caixa para tratamento de resíduos igual à exigida dos lavarápidos convencionais, para contenção da chamada borra. Ainda não sei como vamos resolver isto em Londrina. Mas poderíamos simplesmente ter um ralo como uma simples loja, considera. (M.G.)





