Uva, limão, abacaxi com hortelã, chocolate, yogurte com amarena são alguns sabores dos sorvetes produzidos na fábrica da família Pasquini, na pequena Guaraci, 72 km ao norte de Londrina. Há quase 24 anos Edson, a mulher dele Ilza e o irmão Paulo decidiram abrir uma sorveteria já que a cidade não tinha nenhuma. ''A cidade é pequena, mas resolvemos tentar, começamos com a sorveteria e depois passamos a fazer lanches também, virou lanchonete e sorveteria'', conta Edson. O sorvete agradou muito. E algumas pessoas que visitavam a cidade pediam para que a família levasse o produto para outros municípios.
Depois de seis anos de instalação da sorveteria os Pasquini começaram a vender os sorvetes em outras cidades. ''Hoje estamos apenas com a fábrica e temos uma boa aceitação no mercado.'' A Geloni está presente em mais 200 cidades nos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso, são cerca de 2.500 pontos de venda. A fábrica tem capacidade para produzir 8 mil quilos de sorvete por dia e emprega 60 pessoas. Toda a entrega é feita por frota própria, são 10 caminhões. ''Quando começamos nosso carro era uma bicicleta, hoje evoluímos bastante'', brincam Edson e Ilza.
Eles contam que aprenderam a fazer o sorvete artesanal e foram se aperfeiçoando, fazendo cursos e seguem se qualificando sempre. Edson e Ilza são os responsáveis pela produção. Segundo o casal, o segredo de um bom sorvete está na qualidade da matéria-prima utilizada. ''Precisamos sempre estar atentos aos ingredientes que recebemos porque algumas vezes eles vêm com alguma alteração, mesmo sendo dos fornecedores de sempre. Um bom sorvete não tem segredo basta usar matéria-prima de boa qualidade e seguir as normas de fabricação'', explica Edson. Segundo ele, um bom sorvete deve ter o sabor o mais próximo possível do natural.
A família explica que o retorno financeiro tem sido bom e que estão crescendo. ''O que ganhamos investimos na fábrica, e estamos crescendo conforme a demanda que percebemos no mercado. Fazemos um investimento seguro sabendo que vamos ter retorno'', ressalta Paulo. A empresa possui sede própria e tem 1.500 metros de área construída, com previsão de novas obras em breve. Eles acreditam que o mercado de sorvetes tem muito espaço para crescer. ''O brasileiro ainda consome pouco sorvete se comparado com outros países. Aqui o consumo per capita é de 6 litros, nos Estados Unidos, por exemplo, é de 22 litros. E na época de inverno temos uma queda de 80% nas vendas, precisamos ter um bom planejamento para podermos nos manter.''
Além do inverno outros fatores influenciam no mercado, como por exemplo a chuva. ''É impressionante, pode estar calor, mas se chover as pessoas não compram sorvete'', diz Edson. Diferente de outros países os brasileiros veem no sorvete apenas um refrescante, não um alimento. Edson conta também sobre as diferenças de consumo dependendo da região, por exemplo, em Cuiabá se vende mais sorvete quando a temperatura fica entre 32º e 35º, passou disso as pessoas deixam o sorvete de lado para consumir mais líquido, principalmente o tereré.
O empreendimento tem todo o potencial para continuar crescendo e se manter como familiar, além dos três a esposa de Paulo e uma das filhas de Edson e Ilza também trabalham na fábrica. Mas eles ensinam que o sucesso não cai do céu é preciso trabalho árduo. Edson, por exemplo, chega a ficar 12 horas na produção. ''E olha que melhorou, quando começamos trabalhava até 18 horas sem final de semana ou feriado.'' E da pequena Guaraci vão saindo sorvetes que deliciam consumidores Brasil afora.

Tem­po quen­te pa­ra o sor­ve­te

­País pro­duz
­mais de 950 mi
de li­tros; gi­ro de
R$ 2 bi por ano


  A in­dús­tria bra­si­lei­ra de sor­ve­tes, que pro­duz ­mais de 950 mi­lhões de li­tros, in­cluin­do sor­ve­te de mas­sa, pi­co­lés e o ­soft, es­pe­ra um cres­ci­men­to aci­ma de 3% pa­ra es­te ano. Os da­dos são da As­so­cia­ção Bra­si­lei­ra das In­dús­trias de Sor­ve­tes (­ABIS). Se­gun­do Eduar­do Weis­berg, pre­si­den­te da ­ABIS, as pre­vi­sões pa­ra a tem­po­ra­da 2009/2010 são oti­mis­tas em re­la­ção ao cres­ci­men­to do mer­ca­do: in­ves­ti­men­tos vêm sen­do fei­tos na ex­pan­são das ­atuais em­pre­sas, em de­sen­vol­vi­men­to tec­no­ló­gi­co e no­vos es­tu­dos nu­tri­cio­nais.
  Weis­berg ex­pli­ca que o mer­ca­do de sor­ve­tes no Bra­sil, que mo­vi­men­ta cer­ca de R$ 2 bi­lhões por ano, tem se man­ti­do aque­ci­do tan­to em ter­mos de ven­das co­mo de lan­ça­men­tos. Ao la­do dos tra­di­cio­nais sor­ve­tes, no­vos sa­bo­res e no­vas tex­tu­ras têm che­ga­do ao mer­ca­do. ‘‘A ­ABIS tra­ba­lha pa­ra que o sor­ve­te ga­nhe ca­da vez ­mais o sta­tus de um ali­men­to que po­de ser con­su­mi­do em qual­quer mo­men­to.’’
  De acor­do com es­ta­tís­ti­cas da ­ABIS, en­tre 2002 e 2008, o con­su­mo to­tal de sor­ve­tes no Bra­sil cres­ceu 33,8%, pas­san­do de 713 mi­lhões de li­tros/ano pa­ra 954 mi­lhões de li­tros/ano, en­quan­to o con­su­mo per ca­pi­ta te­ve um au­men­to de 23,27%, pas­san­do de 4,04 pa­ra 4,98 li­tros/ano.
  Ho­je os pi­co­lés re­pre­sen­tam 19% des­se mer­ca­do, ou se­ja, apro­xi­ma­da­men­te 182 mi­lhões de li­tros, o que sig­ni­fi­ca cer­ca de 2,5 bi­lhões de uni­da­des/ano. O sor­ve­te ­soft tam­bém vem cres­cen­do, atual­men­te são pro­du­zi­dos 84 mi­lhões de li­tros, o que sig­ni­fi­ca 9% do mer­ca­do. Os sor­ve­tes de mas­sa são res­pon­sá­veis por um vo­lu­me es­ti­ma­do de 691 mi­lhões de li­tros, 72%.
  Su­mie Has­hi­mo­to, pro­prie­tá­ria da Do­ce Ma­nia, apos­tou nos im­por­ta­dos pa­ra ­atrair um pú­bli­co que gos­ta de no­vi­da­des. Ela trou­xe os sor­ve­tes Me­lo­na pa­ra Lon­dri­na há pou­co me­nos de um ano e ga­ran­te que a acei­ta­ção tem si­do ex­ce­len­te. ‘‘O que ­mais sai é o de me­lão. Ven­de­mos em mé­dia 500 sor­ve­tes por mês, tem mer­ca­do pa­ra to­dos, os na­cio­nais e im­por­ta­dos. Acre­di­to que a con­cor­rên­cia é boa pa­ra di­vul­gar os pro­du­tos.’’
  Su­mie con­ta que ex­pe­ri­men­tou o Me­lo­na pe­la pri­mei­ra vez quan­do es­ta­va no Ja­pão, de­pois a mar­ca che­gou a São Pau­lo e vi­rou fe­bre en­tre os con­su­mi­do­res. En­tão re­sol­veu tra­zer o sor­ve­te co­rea­no pa­ra Lon­dri­na. ‘‘De ime­dia­to ti­ve­mos boa saí­da, prin­ci­pal­men­te dos sor­ve­tes de fru­ta. O in­te­res­san­te é ob­ser­var co­mo o con­su­mi­dor sur­preen­de ­achei que o sor­ve­te re­chea­do com azu­ki (fei­jão uti­li­za­do no re­cheio do mo­ti) não fos­se agra­dar e o de chá ver­de fos­se ven­der bem e foi o ­contrário’’, ex­pli­ca. A ex­pec­ta­ti­va de­la é que com a di­vul­ga­ção ca­da vez ­maior da mar­ca as ven­das au­men­tem.
  Éri­co Sá­vio, pro­prie­tá­rio da Sá­vio Sor­ve­tes, diz que tra­ba­lha com a pers­pec­ti­va de cres­ci­men­to de 20% aci­ma dos ­anos an­te­rio­res. ‘‘Tra­ba­lha­mos pa­ra au­men­tar a ba­se de dis­tri­bui­ção e tam­bém as ven­das nos pon­tos já exis­ten­tes. Te­mos boa res­pos­ta do con­su­mi­dor, prin­ci­pal­men­te nos fi­nais de se­ma­na ­mais quen­tes.’’ Ele acre­di­ta que o au­men­to nas ven­das de­ve fi­car ­maior que o pro­je­ta­do pe­la ­ABIS em fun­ção da me­lho­ria na ren­da da po­pu­la­ção bra­si­lei­ra. As pro­mo­ções e as edi­ções li­mi­ta­das tam­bém são ­boas es­tra­té­gias pa­ra au­men­tar as ven­das. A Sá­vio, por exem­plo, es­tá co­lo­can­do em edi­ção li­mi­ta­da, pa­ra co­me­mo­rar os 60 ­anos da em­pre­sa, um sor­ve­te de Do­ce de Lei­te que le­va em sua com­po­si­ção 50% de do­ce de lei­te pu­ro.
  O se­tor de ven­da de equi­pa­men­tos tam­bém tem si­do be­ne­fi­cia­do. Ge­ral­do Ro­yer, ge­ren­te de ven­das da Tec­soft - em­pre­sa que pro­duz equi­pa­men­tos pa­ra pro­du­ção de sor­ve­te ­soft e milks­ha­ke -, diz ter ob­ser­va­do um cres­ci­men­to nas ven­das. ‘‘A em­pre­sa tem cres­ci­do na fai­xa de 10% a 12% ao ano.’’ Se­gun­do ele, a cri­se eco­nô­mi­ca tam­bém aca­bou fa­vo­re­cen­do a em­pre­sa por­que a pes­soa que é de­mi­ti­da e pre­ci­sa de uma fon­te de ren­da rá­pi­da aca­ba in­ves­tin­do em uma má­qui­na de sor­ve­te. ‘‘Te­mos se­te mo­de­los de má­qui­nas de sor­ve­te e ­três de milks­ha­ke, os ­mais ven­di­dos cus­tam en­tre R$ 23 e R$ 24 mil e os de por­te ­maior en­tre R$ 30 e R$ 35 ­mil’’, ex­pli­ca.

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