A indústria da moda está despertando para o novo perfil da mulher brasileira. Bem longe dos padrões de medidas adotadas pelo mundo fashion, os holofotes estão se voltando para as mais cheinhas.
Segundo a estilista Márcia Regina Chenso Britto, proprietária da escola Modarte, que há quatro anos lançou a marca Villa Florida, especializada no tamanho maior, a moda GG ocupa o 2º lugar no ranking do mercado brasileiro, só perdendo para a moda íntima. E não é só no quesito vestuário que as gordinhas estão com tudo. Esse público conquista espaço nos catálogos das grandes marcas, editoriais de moda e nas passarelas.
Nos últimos anos, o termo ''plus size'' está ganhando conotação e revelando beldades do mundo GG. Há pouco tempo eram comuns as coleções tamanho maior estampar os catálogos sem a presença de modelos vestindo as peças. Eram apenas fotografias de roupas.
''Tomei conhecimento do termo 'plus size' há três anos ao ler uma matéria em uma revista de moda sobre o assunto. Pelo fato de me identificar e provar que o conceito de beleza é muito abstrato, procurei me informar a respeito'', conta a londrinense Munira Chinezi Tauil, 17 anos. Ela já recebeu convites de agências especializadas, de São Paulo, para participar de castings de marcas tamanho maior e depois disso ingressou em um curso de modelo e manequim.
''Antes não achávamos modelos cheinhas para desfilar, o que dificultava, porque uma roupa tamanho grande não cai bem numa magra. Ao invés de agradar as nossas clientes, poderíamos com isso desvalorizar a nossa mercadoria'', ressalta Sidália Alves Lima, que há 18 anos fundou em Londrina a loja Tamanho Maior.
De acordo com Sidália, só existiam túnicas e calças largas para os gordinhos. ''Era revoltante, porque essas pessoas entravam aqui na loja se queixando que gostavam de modelos que viam nas magrinhas'', lembra Sidália.
Sem voz, há um tempo atrás as cheinhas tinham que aderir ao traje conservador, como se todas as mulheres com esse perfil fossem senhoras. Confeccionistas ampliavam suas modelagens P e M para extra G, sem levar em conta a topografia do corpo da mulher.
Hoje o conceito em relação à vestimenta GG está passando por um processo de mudança. De acordo com a estilista Márcia Britto, ''há consciência de que existe a necessidade e ao mesmo tempo percebe-se uma mudança de mentalidade (no mercado), mas o difícil é colocar em prática. O confeccionista tem como obstáculo o medo em relação ao custo da peça que é maior que a convencional''.
Márcia ressalta que o público que consome tamanho GG tem que exigir qualidade. ''A pessoa tem que ver todos os seus desejos, anseios e estar bonita na frente do espelho'', afirma. A modelo Munira tem a mesma opinião. ''Não temos que vestir uma roupa apenas porque serviu. A peça tem que nos valorizar, ter bom caimento. Temos que opinar e exigir trajes joviais e bonitos'', repara.
Na região de Londrina surgiram algumas marcas destinadas ao tamanho grande, mas ainda é um mercado que engatinha, diferente de outros centros. ''O confeccionista, muitas vezes, não tem incentivo. É refém da falta de qualificação, não arrisca'', observa Márcia, acrescentando que as marcas devem tomar cuidado para não serem apenas mais um nome no mercado. Tem que ser um diferencial, lançar conceitos e ideias, onde o consumidor sinta-se fazendo parte do cenário.

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