SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de julho de 2009
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Em época de crise econômica todo consumidor procura economizar. Uma boa alternativa é reformar roupas e sapatos: dá-se uma cara nova aos itens, sem gastar muito. O inverno, período em que normalmente o fluxo de clientes aumenta em sapatarias e alfaiatarias, tem provocado um movimento ainda maior este ano. Em alguns lugares a demanda tem sido até 40% superior. ''A clientela geralmente aumenta nesta época do ano, mas desta vez a crise financeira apertou um pouco e o pessoal tem procurado consertar mais roupas ao invés de comprá-las novas'', conta Benedito Aparecido Rodrigues, alfaiate desde os 10 anos.
Segundo ele, além de fatores econômicos, muitos clientes optam pelo conserto porque algumas peças são muito caras, e vale a pena reformá-las, além de serem bonitas e as preferidas. ''Tem gente que gosta especialmente de alguma roupa e quando ela está ficando velha dá um jeitinho de levar para o conserto e não perdê-la'', reforça Rodrigues, proprietário da alfaiataria Detalhe Final. Ele conta que no local chega de tudo, de ''calcinha a casacos'', mas no inverno o maior volume é de blazers de lã e de calças jeans. A reforma também abrange muitos detalhes, que vai de um simples ajuste à mudança do modelo da roupa.
''A gente orienta o cliente, mostramos o que dá para ser feito: encurtamos, cinturamos, trocamos forro, substituímos botões, tiramos e colocamos bolso, trocamos zíper, fazemos barra. Depende do que a pessoa deseja e do que é possível'', diz Rodrigues. Os valores variam de R$ 7, para fazer uma barra, até R$ 100, para reformar um casaco de lã, por exemplo. Conforme o alfaiate, R$ 100 até parece um custo alto, mas quando se compara com um casaco novo o valor compensa. ''Na loja, um novo, custa R$ 350, em média. Então, vale a pena reformar''.
Rodrigues observa que a demanda nas últimas semanas tem sido tão alta que o prazo para entregar a roupa pronta tem chegado a 15 dias. No local, trabalham quatro pessoas: dois atendentes e dois costureiros. A alfaiataria ainda conta com o serviço terceirizado de oito pessoas.
Na sapataria rápida Central, o cenário é o mesmo: demanda e tempo maior de espera. Segundo Ailton Bomfim, proprietário do estabelecimento, nesta época do ano o movimento aumenta 30%. Os serviços são procurados por homens e mulheres, mas segundo ele o público maior é o feminino, que leva botas e sapatos fechados para ganharem um repaginada.
''O conserto de um sapato vale a pena. Uma pintura ou a troca de um salto deixam o produto novinho e dá um toque de elegância'', comenta o sapateiro, que tem a loja há quase 40 anos. Ele acredita que neste período do ano, o fluxo seja maior porque um sapato fechado geralmente é caro, então o cliente prefere mandar reformar do que comprar outro novo.
Segundo Bomfim, é possível fazer quase tudo: trocar taco, fazer meia sola ou o solado inteiro, substituir o salto, ajustar botas, pintar, polir. O custo de um conserto pode variar de R$ 2 a R$ 40. A pintura, que pode ser feita em diversas cores, fica entre R$ 15 e R$ 20 e o polimento varia de R$ 5 a R$ 10, por exemplo. Na sapataria trabalham sete pessoas que, conforme o proprietário, quase não estão dando conta da demanda. Dependendo do serviço, o sapato só fica pronto em 15 dias.
Cliente aparece na alfaiataria toda semana
A jornalista Ângela Plastina visita a alfaiataria toda semana. Levo para apertar, fazer a barra, dar uma arrumada. Antes, quando a roupa não estava boa, eu doava, mas depois que comecei a reformar vi que a qualidade é ótima e que fica perfeito, conta.
Ângela destaca que na opção pela reforma estão ainda peças que gosta muito, das quais não quer se desfazer. E hoje em dia as coisas são caras não dá pra ficar comprando toda hora algo novo, reforça. A jornalista comenta que além das suas próprias roupas, que às vezes leva para reformar, ainda tem as peças que troca com a irmã e que precisam de ajustes.
Fora as suas roupas, Ângela já levou ao alfaiate peças do marido e dos filhos. Tenho dois meninos, um de dois e outro de quatro anos, como um acaba usando a roupa do outro, muitas vezes preciso levar para ajustar, comenta. Ela diz que leva ao alfaiate porque confia no serviço. Eles não me enganam e sempre entregam no prazo combinado. (E.Z.)


