Em época de crise econômica todo consumidor procura economizar. Uma boa alternativa é reformar roupas e sapatos: dá-se uma cara nova aos itens, sem gastar muito. O inverno, período em que normalmente o fluxo de clientes aumenta em sapatarias e alfaiatarias, tem provocado um movimento ainda maior este ano. Em alguns lugares a demanda tem sido até 40% superior. ''A clientela geralmente aumenta nesta época do ano, mas desta vez a crise financeira apertou um pouco e o pessoal tem procurado consertar mais roupas ao invés de comprá-las novas'', conta Benedito Aparecido Rodrigues, alfaiate desde os 10 anos.
Segundo ele, além de fatores econômicos, muitos clientes optam pelo conserto porque algumas peças são muito caras, e vale a pena reformá-las, além de serem bonitas e as preferidas. ''Tem gente que gosta especialmente de alguma roupa e quando ela está ficando velha dá um jeitinho de levar para o conserto e não perdê-la'', reforça Rodrigues, proprietário da alfaiataria Detalhe Final. Ele conta que no local chega de tudo, de ''calcinha a casacos'', mas no inverno o maior volume é de blazers de lã e de calças jeans. A reforma também abrange muitos detalhes, que vai de um simples ajuste à mudança do modelo da roupa.
''A gente orienta o cliente, mostramos o que dá para ser feito: encurtamos, cinturamos, trocamos forro, substituímos botões, tiramos e colocamos bolso, trocamos zíper, fazemos barra. Depende do que a pessoa deseja e do que é possível'', diz Rodrigues. Os valores variam de R$ 7, para fazer uma barra, até R$ 100, para reformar um casaco de lã, por exemplo. Conforme o alfaiate, R$ 100 até parece um custo alto, mas quando se compara com um casaco novo o valor compensa. ''Na loja, um novo, custa R$ 350, em média. Então, vale a pena reformar''.
Rodrigues observa que a demanda nas últimas semanas tem sido tão alta que o prazo para entregar a roupa pronta tem chegado a 15 dias. No local, trabalham quatro pessoas: dois atendentes e dois costureiros. A alfaiataria ainda conta com o serviço terceirizado de oito pessoas.
Na sapataria rápida Central, o cenário é o mesmo: demanda e tempo maior de espera. Segundo Ailton Bomfim, proprietário do estabelecimento, nesta época do ano o movimento aumenta 30%. Os serviços são procurados por homens e mulheres, mas segundo ele o público maior é o feminino, que leva botas e sapatos fechados para ganharem um repaginada.
''O conserto de um sapato vale a pena. Uma pintura ou a troca de um salto deixam o produto novinho e dá um toque de elegância'', comenta o sapateiro, que tem a loja há quase 40 anos. Ele acredita que neste período do ano, o fluxo seja maior porque um sapato fechado geralmente é caro, então o cliente prefere mandar reformar do que comprar outro novo.
Segundo Bomfim, é possível fazer quase tudo: trocar taco, fazer meia sola ou o solado inteiro, substituir o salto, ajustar botas, pintar, polir. O custo de um conserto pode variar de R$ 2 a R$ 40. A pintura, que pode ser feita em diversas cores, fica entre R$ 15 e R$ 20 e o polimento varia de R$ 5 a R$ 10, por exemplo. Na sapataria trabalham sete pessoas que, conforme o proprietário, quase não estão dando conta da demanda. Dependendo do serviço, o sapato só fica pronto em 15 dias.


Cliente aparece na alfaiataria toda semana
  A jor­na­lis­ta Ân­ge­la Plas­ti­na ‘‘­visita’’ a al­faia­ta­ria to­da se­ma­na. ‘‘Le­vo pa­ra aper­tar, fa­zer a bar­ra, dar uma ar­ru­ma­da. An­tes, quan­do a rou­pa não es­ta­va boa, eu doa­va, mas de­pois que co­me­cei a re­for­mar vi que a qua­li­da­de é óti­ma e que fi­ca ­perfeito’’, con­ta.
  Ân­ge­la des­ta­ca que na op­ção pe­la re­for­ma es­tão ain­da pe­ças que gos­ta mui­to, das ­quais não ­quer se des­fa­zer. ‘‘E ho­je em dia as coi­sas são ca­ras não dá pra fi­car com­pran­do to­da ho­ra al­go ­novo’’, re­for­ça. A jor­na­lis­ta co­men­ta que ­além das ­suas pró­prias rou­pas, que às ve­zes le­va pa­ra re­for­mar, ain­da tem as pe­ças que tro­ca com a ir­mã e que pre­ci­sam de ajus­tes.
  Fo­ra as ­suas rou­pas, Ân­ge­la já le­vou ao al­faia­te pe­ças do ma­ri­do e dos fi­lhos. ‘‘Te­nho ­dois me­ni­nos, um de ­dois e ou­tro de qua­tro ­anos, co­mo um aca­ba usan­do a rou­pa do ou­tro, mui­tas ve­zes pre­ci­so le­var pa­ra ­ajustar’’, co­men­ta. Ela diz que le­va ao al­faia­te por­que con­fia no ser­vi­ço. ‘‘­Eles não me en­ga­nam e sem­pre en­tre­gam no pra­zo ­combinado’’. (E.Z.)

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