SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de julho de 2009
Gisele Mendonça<br> Reportagem Local 
O consumidor consciente da sua responsabilidade na preservação do meio ambiente tem que adotar um novo jeito de fazer compras. A campanha lançada no mês passado pelo Ministério do Meio Ambiente com o slogam Saco é um Saco. Para nós, para a cidade, para o planeta e para o futuro, reforça a necessidade de se recusar as sacolas plásticas do comércio, sempre que possível, adotando alternativas para o transporte das compras e o acondicionamento de lixo.
Anualmente, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o Brasil consome 12 bilhões de sacolas plásticas e cada brasileiro utiliza aproximadamente 66 sacos para lixo por mês. Dados de organismos internacionais mostram que 500 bilhões de sacolinhas estão pelo mundo, contribuindo com a poluição e a má qualidade de vida. O plástico leva mais de 400 anos para se decompor.
Apesar de todos os apelos, ainda é pequeno o número de pessoas que recusa as sacolinhas plásticas na hora das compras. Um dos motivos, segundo o Ministério do Meio Ambiente, é uma característica da sociedade brasileira: o reuso das sacolas para o acondicionamento de lixo, que acontece em todas as classes sociais.
Além das sacolas retornáveis, que podem ser facilmente encontradas em qualquer supermercado a partir de R$ 3, o consumidor pode adotar, por exemplo, o tradicional carrinho de feira. Conforme consulta feita pela FOLHA em loja especializada em utilidades domésticas em Londrina (Gaspeças), esses carrinhos custam de R$ 35 (alumínio cromado) a R$ 129 (ferro pintado).
Nossa orientação é que os condomínios comprem esses carrinhos e deixem à disposição de todos os moradores. Isso já vai criando um hábito para quem mora em prédio, aponta Ana Domingues, representante da ONG Fundação Verde, de Maringá. A entidade tem atuação nacional e desde 2005 vem trabalhando no projeto Sacolas Ecológicas, cujo objetivo é conscientizar e mobilizar a sociedade para abolir o uso das sacolinhas plásticas.
O trabalho da ONG, aliado ao de outros órgãos, contribuiu para que o governo do Estado determinasse a utilização de embalagens ambientalmente corretas no varejo do Paraná. Desde maio de 2008, o comércio é obrigado a substituir as sacolas de plástico tradicional por plástico oxibiodegradável. O varejo pode adotar também embalagem de papel sem laminação ou não oferecer nada (ao consumidor), explica Ana.
Ela lembra que os ambientalistas travam uma guerra com a sociedade para banir as sacolas plásticas, a exemplo do que aconteceu com a cidade de Xanxerê, em Santa Catarina. Não existe reciclagem dessas sacolas no Brasil. Cada uma pesa três gramas e é necessário coletar 800 unidades para se conseguir R$ 1 na reciclagem, observa. As sacolas de plástico oxibiodegradável, segundo Ana, são apenas um paliativo. Enquanto a tradicional leva quase 500 anos para se decompor, esta leva em média três meses no sol e a partir de 18 meses nos demais ambientes.
A ambientalista sugere ainda que os consumidores comprem sacos de plástico oxibiodegradável para acondicionar lixo. O problema, conforme constatou a reportagem, é que nem todo supermercado oferece o produto. De quatro redes pesquisadas (no Centro e periferia de Londrina), apenas uma (Viscardi) vende este tipo de saco. A boa notícia é que os preços não são diferentes dos sacos tradicionais. Os oxibiodegradáveis de 50 litros custam R$ 2,59 (embalagem com 10 unidades) e R$ 12,98 (com 50 unidades). Já os de 15 litros saem por R$ 10,98 (com 100 unidades).


