Caixas de som, cabos conectores, players, pré-amplificadores e amplificadores que podem custar mais do que uma mansão em um condomínio de luxo. Os equipamentos de som de alta fidelidade, os chamados high-end, têm um público seleto e movimentam um mercado milionário. É uma aparelhagem que reproduz o som com a maior fidelidade possível ao real. Para quem ouve, é como se a orquestra estivesse dentro da própria sala.
O público alvo são os consumidores dotados de ouvidos muito exigentes, conhecidos como audiófilos. ''Para comprar um high-end é preciso ter ouvido para isso. O leigo não vai conseguir perceber a diferença da qualidade do som'', diz Alex Cereza, gerente da Bytec, que trabalha com tecnologia, áudio e vídeo em Londrina.
A loja tem equipamentos high-end a partir de R$ 20 mil (incluindo só áudio, sistema 5.1), mas o consumidor pode gastar muito mais, dependendo do grau de exigência. ''Dentro do sistema high-end existem várias séries, que se diferenciam de acordo com o tamanho e a qualidade das caixas, dos auto-falantes, da matéria-prima, do acabamento, do formato. Não tem limite. Depende de cada bolso'', diz Cereza, citando o caso de um cliente que está investindo US$ 200 mil para equipar a casa inteira com áudio, vídeo e automação.
Já um home theater (que une áudio e vídeo, incluindo TV e projetor) de alta definição custa a partir de R$ 25 mil. Quem optar por automatizar toda a sala (áudio, vídeo e iluminação) vai desembolsar mais R$ 10 mil.
O mais comum para grande parte dos consumidores, no entanto, é a busca pelo home-theater dotado de equipamentos de qualidade média (medium-end), que pode ser encontrado a partir de R$ 6,5 mil. ''Quando o cliente chega, perguntamos se ele já tem algum home-theater, o que espera dos equipamentos e quem vai usar a sala com mais frequência. Isso tudo para sabermos o que vamos oferecer'', diz Cereza.
O audiófilo é um consumidor diferenciado, que pesquisa e tem conhecimento aprofundado do assunto. Portanto, já chega sabendo o que quer. Muitas vezes, compra equipamentos importados, feitos artesanalmente, e gasta valores bem acima dos já citados. ''Clientes audiófilos, mesmo, temos poucos. Mas quando eles aparecem dá para perceber o grau de exigência. Gostam de som estéreo e têm os ouvidos tão educados que conseguem identificar até as frequências'', conta o gerente.
Na busca por uma boa performance, eles deixam de lado o CD para ouvir disco de vinil. Enquanto o CD é digital, o vinil tem informação analógica, cuja característica é reproduzir o som mais próximo do real. Tanto que o mercado de toca-vinil está aquecido. A indústria voltou a fabricá-lo. Hoje, um aparelho novo, de qualidade, custa a partir de R$ 8 mil. Na linha profissional, tem toca-vinil de até R$ 300 mil.
''Esses equipamentos novos têm plataforma 100% sem atrito, o que elimina aquele chiado característico do vinil'', conta Cereza. Ele diz que o consumidor interessado tem que fazer pedido e esperar alguns dias pelo produto, que vem de São Paulo.

mockup