SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de janeiro de 2009
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
Países como Índia, México, Tailândia e Coréia estão entre os grandes consumidores de pimenta do mundo. O Brasil não lidera o ranking, mas não fica muito atrás. Basta ver as variedades de rótulos que surgem a cada dia, grande parte vinda dos estados de Minas Gerais e São Paulo. E se depender de quem gosta do produto, o mercado estará sempre aquecido.
Quem come pimenta, come sempre, garante o comerciante Pedro Rocha, dono do Rancho Silvestre, em Londrina, que vende especiarias e carnes exóticas. Apreciador de pimentas, ele diz que está sempre viajando para conhecer novos produtos. O objetivo é trazer mercadorias que o mercado da região, em geral, não oferece.
Numa dessas andanças, Rocha achou em Minas Gerais uma pimenta muito forte e de nome sugestivo: P.Q.P. Por aqui, ninguém tem. No início, acharam que era malagueta, mas não é, conta. Nos últimos anos, segundo ele, tem aumentado o número de empresas de pimentas, principalmente no interior mineiro. Muitas fecham em dois ou três anos, mas ao mesmo tempo surgem outras. Tem muito aventureiro nesse mercado. É gente que vê o outro produzindo e acha que pode produzir também.
Na linha das pimentas raras, o comerciante oferece ainda a scotch bonnet, proveniente da Jamaica, que é bastante ardida e saborosa. Não é fácil achar o produto. Rocha lembra que uma grande empresa nacional deixou de oferecer a variedade nos últimos anos, por dificuldade de conseguir a planta.
Outra pimenta que chama a atenção dos apreciadores do gênero na loja é a rocotó, originária do México. Também conhecida como pimenta cavalo, se parece com uma cereja quando é pequena e com uma maçã, quando grande. É bastante ardida e tem como marca registrada as sementes pretas. Também fazem sucesso a habanero (Estados Unidos) e a jalapeño (México).
As mais procuradas, porém, são aquelas que a maioria dos brasileiros conhece bem: malagueta, cumari e dedo-de-moça. Todas ardidas, com maior ou menor intensidade. Entre as poucas que não ardem, a mais vendida é a biquinho ou pimenta-de-bico. Temos essa variedade temperada, que é muito boa para ser consumida como aperitivo, pura ou acompanhada de frios, torradas, diz Rocha.
Muitas variedades vêm em vidros a partir de 40 gramas, próprios para quem gosta de levar as pimentas para refeições fora de casa. Há também vidros de 15 quilos, que trazem vários tipos de pimentas para decorar ambientes e também consumir. Enchem os olhos dos apaixonados pela especiaria e chegam a custar R$ 200.
Nossos vidros para decorar também são consumíveis. O consumidor deve tomar cuidado, pois há opções no mercado que são apenas decorativas, já que trazem componentes para conservação que são prejudiciais à saúde, alerta Rocha.
Em geral, a maioria das pimentas comercializadas é curtida no vinagre ou no óleo, mas também há opções em pasta e na forma de extrato. Quem entende do assunto ensina: o óleo absorve o sabor da pimenta e o vinagre não. Para não formar borra no vidro com o tempo, a dica é optar por óleo de milho ou azeite de oliva.
Entre homens e mulheres, quem consome mais pimenta? Segundo o comerciante, os dois públicos apreciam a especiaria, mas elas são mais resistentes. Tenho uma malagueta em pasta aqui, que ofereço com torrada. A maioria dos homens afina quando prova a torradinha, já as mulheres não, entrega Rocha.
Para os apaixonados, quanto mais ardida melhor
Meu café da manhã é pimenta. Como no pão caseiro, conta o autônomo Laércio Sartori, um apaixonado pelo condimento. Ele não só consome como cultiva diversas variedades, muitas raras por aqui, como a naga jolokia, pimenta indiana vermelha, considerada a mais ardida do mundo. Se você colocar direto na língua sai até a pele, diz.
Para apaixonados como Sartori, pimenta vai bem a qualquer hora e com todo o tipo de comida. Segundo ele, degustar pimenta é uma questão de aprendizado. Assim como o bom conhecedor de vinho, com o tempo você vai desenvolvendo o paladar, observa.
E quanto mais ardida melhor. A graça está aí. Pimenta que não arde é pimenta sem alma, diz Sartori. Para quem quer experimentar alguma variedade sem prolongar o sofrimento, ele aconselha: Creme de leite gelado é a única coisa que alivia o ardor.
Sartori começou consumindo as pimentas mais comuns, como cumari e malagueta, e hoje não para de conhecer novas variedades. Há alguns anos, participa de um fórum na internet (www.pimentas.org), através do qual troca informações e sementes de pimentas com pessoas de diversos lugares do mundo. Recentemente, plantou 750 pés de 15 variedades de diferentes origens em uma chácara em Londrina e prepara-se para transformar o hobby em negócio.
Comecei fazendo vidros para presentear os amigos. Agora, criei um rótulo e passei a desenvolver outros produtos para colocar no mercado. Tenho pimentas in natura, molhos, antepastos, geléias com pimenta, conta.
Quanto ao plantio, ele diz que a pimenta requer solo fértil e drenado e muito sol. Você planta e fica naquela ansiedade, sempre é uma surpresa. É a coisa mais linda do mundo, derrete-se.
Segundo Sartori, o nível de ardência das pimentas pode variar de acordo com o tipo de solo, a adubação, a época do ano. Um dos cuidados é cobrir os vasos com véu para não haver cruzamento entre as plantas. (G.M.)


