A época em que o homem não ligava para a vaidade está com os dias contados. Os padrões atuais da sociedade exigem uma boa aparência física e o preconceito não deve ser o entrave para o setor deslanchar. Afinal, além das tradicionais colônias e dos kits de barbear, o público masculino já tem à disposição shampoos, cremes antiidade e loções corporais específicas para suas necessidades.
  Para o estoquista Alan Pizzani essa tendência já virou necessidade. Ele acredita que manter uma boa aparência é fundamental na hora de participar de uma entrevista de emprego ou para conquistar uma namorada. ‘‘Esse tipo de preconceito precisa acabar. Não dá para andar mal cuidado pelas ruas. E usar produtos de beleza não tira a masculinidade de ninguém’’, alfineta.
  Pizzani tem até suas marcas preferidas de produtos como loção pós-barba, shampoo anticaspa e as colônias. Foi graças ao consumidor com seu perfil, que durante 2007 o mercado de cosméticos masculinos alcançou um faturamento de quase R$ 2 milhões. Os números são da Associação Brasileira de Higiene Pessoal e Cosméticos (Abihpec) e o percentual de crescimento está perto dos 16% ao ano.
  De todo o desempenho, as colônias e perfumes (58%) e os desodorantes (35%) concentram 93% do total. O alto valor agregado destes itens funciona como a mola propulsora da categoria. De acordo com Vera Mairink, gerente de uma franquia paranaense de cosméticos, esse segmento entrou no foco da indústria há cinco anos. Por isso, seu portifólio ainda é restrito e as vendas estão concentradas nos itens clássicos.
  O assistente jurídico Adriano Pierote contribui para este segmento crescer. Ele encara o uso de cosméticos, em especial os perfumes e as colônias, como uma necessidade e por isso chega a gastar até R$ 150,00 por mês. ‘‘Gosto de fragrâncias amadeiradas. Acho que elas são mais marcantes porque possuem notas de fundo feitas de vinho. Isso deixa mais forte’’, detalha. Ele dispensa o rótulo de metrossexual – homens modernos preocupados com beleza – e se define como um consumidor tradicional.
  Já as categorias dos cremes para barbear e loções pós-barba possuem uma tímida participação, apesar de comporem o kit básico de muitos homens. São apenas 6,6% do total e a justificativa é o baixo valor agregado dos produtos se comparados aos artigos de perfumaria.
  Mas se depender de consumidores como Edvar Barbosa Filho esse segmento ainda vai galgar boas cifras. Ele utiliza os cremes porque refrescam e diminuem a irritação na pele causada pelo contato com as lâminas do barbeador. ‘‘A cada compra gasto uma média de R$ 50,00, mas muitos produtos duram até seis meses’’, afirma Barbosa Filho.
  Por isso o grande desafio é ampliar a cultura do uso destes e outros cosméticos entre o sexo masculino. Afinal, já existem muitas opções como cremes e loções pós-barba com ativos antienvelhecimento feitos para a pele do rosto deles. No Brasil, quem saiu na frente foi a Futura Biotech, quando lançou no início dos anos 90 o Monolith, considerado o primeiro creme masculino antiidade.
  A estratégia para conscientizar tem sido usar o corpo-a-corpo no ponto de venda. As atendentes já estão orientadas sobre as peculiaridades do consumidor masculino com intuito de criar não só hábitos de compra, mas principalmente de consumo. ‘‘Os homens gostam mais de produtos que tragam os benefícios, não importa o quanto ele vai gastar. Ele prioriza o resultado final e é nisso que nós devemos focar a partir de agora’’, analisa Vera.


Pele masculina é mais oleosa, compara dermatologista
  A ne­ces­si­da­de de um cos­mé­ti­co es­pe­cí­fi­co, ­além de uma es­tra­té­gia de seg­men­ta­ção do mer­ca­do é de­vi­do às di­fe­ren­ças en­tre as pe­les mas­cu­li­na e fe­mi­ni­na. En­quan­to ­eles pos­suem a der­me ­mais oleo­sa, a es­tru­tu­ra de­las é ­mais ás­pe­ra e es­pes­sa. Exis­te tam­bém a ques­tão dos pe­los do cor­po, que exi­gem pro­du­tos ­mais flui­dos que os fe­mi­ni­nos pa­ra fa­ci­li­tar a apli­ca­ção.
  De acor­do com a der­ma­to­lo­gis­ta Sil­via San­til­li, quan­do se fa­la em saú­de da pe­le em am­bos os se­xos a pro­te­ção so­lar é fun­da­men­tal. Sua uti­li­za­ção re­tar­da o pro­ces­so de en­ve­lhe­ci­men­to da pe­le cau­sa­do pe­la ­ação do sol pre­ve­nin­do con­tra o cân­cer da pe­le. ‘‘O fil­tro de­ve­ria ser con­si­de­ra­do um me­di­ca­men­to por­que pro­te­ge con­tra ­doenças’’, ale­ga.
  As prin­ci­pais quei­xas que re­ce­be dos pa­cien­tes são a for­ma­ção de man­chas, ex­ces­so de oleo­si­da­de e pe­los en­cra­va­dos. Pa­ra evi­tar pro­ble­mas, é im­por­tan­te me­lho­rar a pro­du­ção de co­lá­ge­no e a uti­li­za­ção do pro­te­tor so­lar fun­cio­na co­mo um es­tí­mu­lo. Po­rém, ela ob­ser­va que os em­pe­ci­lhos en­tre as mu­lhe­res e dos ho­mens são pa­re­ci­dos. ‘‘­Eles tam­bém pro­cu­ram por tra­ta­men­tos con­tra ru­gas, fla­ci­dez e ener­va­ções nas re­giões das ­pálpebras’’, enu­me­ra.
  Pa­ra fa­zer um tra­ta­men­to pre­ven­ti­vo, ela re­co­men­da o uso de sa­bo­ne­tes es­pe­cí­fi­cos pa­ra a pe­le oleo­sa com in­tui­to de evi­tar a der­ma­ti­te se­bor­réi­ca. Lo­ções pós-bar­ba com fil­tro so­lar e com­po­nen­tes an­ti-en­ve­lhe­ci­men­to tam­bém são in­di­ca­dos. ‘‘Acre­di­to que es­se pa­no­ra­ma (o pre­con­cei­to) mu­dou mui­to por­que o uso de cos­mé­ti­cos não co­lo­ca em xe­que a ques­tão da mas­cu­li­ni­da­de. ­Eles es­tão per­den­do a ver­go­nha e a pro­cu­ra ago­ra é ­direta’’, con­clui. (R.O.)

Opinião feminina é fundamental
  Se exis­te um mo­ti­vo que faz qual­quer ho­mem pas­sar um per­fu­me e an­dar bem bar­bea­do são as mu­lhe­res. Pa­ra mui­tas é fun­da­men­tal es­tar apre­sen­tá­vel e bo­ni­to pa­ra man­ter uma boa re­la­ção. A nu­tri­cio­nis­ta Jo­sia­ne Pe­rei­ra, afir­ma que não é só a mu­lher que de­ve se cui­dar. ‘‘­Eles têm que va­lo­ri­zar a vai­da­de e cui­dar da apa­rên­cia, pa­ra ­elas gos­ta­rem ­mais. Por is­so pre­ci­sam an­dar sem­pre ­bonitos’’, con­si­de­ra.
  Ela tem na­mo­ra­do e o cui­da­do com a be­le­za foi o fa­tor pre­pon­de­ran­te quan­do co­me­ça­ram seu re­la­cio­na­men­to. A vai­da­de já era na­tu­ral no seu com­pa­nhei­ro, ela o fez in­cluir a preo­cu­pa­ção com a saú­de. ‘‘Co­mo ele tra­ba­lha no sol é im­por­tan­te pas­sar o pro­te­tor so­lar. Tem um as­pec­to de saú­de ­também’’, emen­da.
  Ve­ra Mai­rink acre­di­ta que as mu­lhe­res pos­suem gran­de in­fluên­cia so­bre o se­xo mas­cu­li­no na ho­ra da com­pra. Por cau­sa de­las, aque­le es­te­reó­ti­po dos ho­mens an­ti­gos que de­fen­diam o seu ‘‘chei­ro ­natural’’ es­tá vi­ran­do ra­ri­da­de. ‘‘A in­fluên­cia fe­mi­ni­na é im­por­tan­te pa­ra aju­dar nes­se ­sentido’’, com­ple­ta. (R.O.)

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