SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de novembro de 2008
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
Brinquedo é coisa só de criança? Alguns adultos acham que não. E não pensam duas vezes antes de levar para casa a boneca ou o carrinho de controle remoto que viram na loja de departamento. Existem aqueles que fazem visitas constantes a lojas especializadas nem que for só para olhar. Nesses locais, os brinquedos que mais fazem sucesso entre os adultos são clássicos como Autorama, o jogo de estratégia War, a boneca Barbie, carrinhos colecionáveis Hot Wheels e carrinhos de controle remoto, tipo Ferrari.
São brinquedos que podem custar mais de R$ 500, nunca caem de moda e atravessam gerações. Para isso, estão sempre se modernizando. O Autorama, por exemplo, sonho de consumo de quase todo menino entre as décadas de 1960 a 1980, ainda faz sucesso, principalmente entre os adultos.
O Autorama é objeto de desejo constante. Eu mesmo, lembro do brinquedo ainda com os carrinhos do Emerson Fittipaldi, observa Mario Honorato, diretor de marketing da Ri Happy, rede como 86 lojas no Brasil. Ele diz que o produto evoluiu muito nos últimos anos. Hoje os carrinhos são menores e mais velozes, além de terem mais aderência. As pistas são maiores, em formato de autódromo e têm, inclusive, guard-rail.
Segundo Honorato, é comum ver pais que chegam às lojas e levam os filhos para ver os brinquedos que eles queriam ter quando criança.
É engraçado. Você vê os pais empolgados, querendo mostrar às crianças como determinado brinquedo é interessante. São pessoas que satisfazem o próprio desejo ao comprarem o brinquedo para o filho, afirma.
A boneca Barbie, que já tem mais de 40 anos, também continua em alta entre os adultos. É curioso. Temos colecionadores de Barbie e, inclusive, uma consumidora (adulta) que é a própria Barbie, na maneira de vestir, sempre de rosa e modelos parecidos com os da boneca, conta o diretor.
Na opinião da psicóloga Kellen Escaraboto, o contato com brinquedos é saudável não apenas para crianças. Ela diz que os adultos não só podem como devem brincar. O nosso dia-a-dia geralmente é muito estressante, com muito trabalho, contas a pagar. Temos necessidade de sentir prazer, que é equiparada à necessidade de comer, de dormir. E essa sensação de prazer pode vir pelas brincadeiras, observa.
O hábito de comprar brinquedos na fase adulta, diz a psicóloga, remete a lembranças da infância, o que pode ser muito saudável. Mesmo sendo lembranças tristes do tipo ah, eu nunca tive tal coisa, voltar à infância é muito prazeroso porque é uma fase de alegrias, descobertas. E as sensações prazerosas desencadeiam no cérebro um processo neuroquímico que é bastante estimulante, analisa Kellen.
Outra vantagem que os brinquedos trazem, seja pra adultos ou crianças, é a interação social. Afinal, eles não foram feitos para ninguém brincar sozinho, diz a psicóloga. Ela considera que o adulto que deseja algum brinquedo não deve sentir vergonha de chegar numa loja e comprar.
Aquele que busca se realizar em algo que adquire para o filho, porém, tem que tomar cuidado para não satisfazer apenas o próprio desejo. O pai não deve levar, por exemplo, um PlayStation 3 (videogame) para o filho de 2 anos. Todo brinquedo tem que estar adequado para a faixa etária, além de trazer selo de segurança, afirma Kellen.
Consumidores que não dispensam uma diversão
A administradora Magda Nomura gosta tanto de brinquedos que abriu um bar temático em Londrina. No Villa Badú, bonecas, carrinhos, bichos de pelúcia e clássicos como autorama estão espalhados pelas paredes e fazem a alegria da proprietária e dos clientes. Aqui dentro tem coisas minhas e também dos amigos, freqüentadores. A casa virou um acervo de brinquedos desde a década de 1960 até 1990, conta Magda.
Ela lembra que sempre gostou de brinquedos, mas na infância não teve muitos devido à condição financeira. Quando abriu o bar, há cerca de dois anos, deu vazão à paixão. Magda conta que pelo menos umas cinco vezes ao ano sai para fazer compras divertidas.
Numa dessas, realizou um sonho de infância ao adquirir num brechó um patins de ferro antigo por R$ 48. Na mesma compra, arrematou um Sansão (coelho da Mônica) e um gato Garfield. A maioria dos brinquedos vai para o bar, mas alguns ficam em casa, como a coleção de bonecas que comprou nos Estados Unidos.
O próximo desejo? Uma Barbie. Adoro! Toda vez que saio fico olhando. Gosto das mais básicas, não das princesas, diz a administradora. Para ela, o contato com os brinquedos mantém vivo o seu lado sonhador e criativo. É interessante cultivar a fantasia, a mágica da vida, afirma.
Os brinquedos e toda a alegria que eles trazem também estão presentes na vida da advogada Clarissa Salinet. Tanto que a sua casa é cheia deles, seja decorando o ambiente ou amontoados numa caixa. Ela gosta principalmente de bonecas artesanais.
Adoro criança, então gosto de ter brinquedo em casa para dar para alguma que chega, brincar junto com ela. Estou sempre comprando algo. Uma vez passei cinco horas dentro de uma loja de brinquedos em Nova York. É tanta coisa para ver que você fica louca, conta. Clarissa diz, porém, que não chega a gastar muito com brinquedos. Compro coisas simples, que não custam caro.
Há cerca de um ano, o agente de negócios Joan Brigo Fernandes realizou um sonho de infância: comprou uma bicicleta. Nunca tive uma quando era criança, andava nas bicicletas dos meus primos. Cresci com esse desejo. Depois de adulto, comprei primeiro meu carro e esperei para adquirir uma bicileta do jeito que eu queria, para fazer trilha. Me senti realizado, diz ele, que costuma pedalar junto com o filho Renan, de 6 anos.


