SUAS COMPRAS
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terça-feira, 28 de outubro de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O consumidor curitibano vai menos às compras, mas gasta mais em média que o restante do país. Essa é uma das conclusões da pesquisa Consumidor do Século XXI, realizada pelo IBOPE Mídia em nove regiões metropolitanas do Brasil. O curitibano gasta em média R$ 458,00 ao mês em compras de itens pessoais para uso próprio ou de outra pessoa excluindo alimentos e bebidas. No resto do país a média é de R$ 350,00. Já os paulistas gastam, por mês, R$ 369,00 com compras pessoais.
Segundo o levantamento, em Curitiba 53% das pessoas são consumidores baixos, segundo o IBOPE, o que significa que vão às compras de uma a seis vezes por mês. A capital paranaense é o centro urbano estudado na pesquisa que mais apresentou compradores baixos. Os consumidores médios (fazem compras de sete a 13 vezes a cada 30 dias) são 28% e os que compram mais 14 vezes somam 18% dos entrevistados. Os itens mais consumidos pelos curitibanos segundo o IBOPE são calçados, presentes, entretenimento (CD's e livros) e artigos para a casa.
A instituição entrevistou mais de 18 mil pessoas de ambos os sexos das classes A B, C e DE com idades entre 12 a 64 anos com o objetivo de determinar os hábitos de consumo no país. Segundo a gerente de marketing do IBOPE Mídia, Juliana Sawaia, a pesquisa desenhou um panorama do consumidor brasileiro. ''É um consumidor exigente, que é atento ao seus direitos e que influencia a indústria a ponto de interferir até mesmo em fórmulas de produtos'', avalia.
Para Juliana, quem consome busca ser diferente e a busca da individualidade é constante. ''Há uma preocupação grande com o impacto ambiental do consumo, mas a consciência ainda está distante da prática'', explica. Segundo a pesquisa, 89% dos entrevistados disseram considerar a reciclagem um dever de todos, mas apenas 60% faz um esforço consciente para reciclar. ''O Brasil se destaca na América Latina como país em que essa consciência está mais presente, mas ainda falta algo para que o consumidor concretize o que diz'', completa.
Os resultados da pesquisa mostram que o consumidor se contradiz quando avalia a relação entre dinheiro e felicidade. O sucesso financeiro ficou em último lugar num elenco de fatores de felicidade, atrás de ''estar em paz com a família'', ''ter muita saúde'' e ''realizar-se profissionalmente''. No entanto, em todo o país 14% das pessoas concordaram parcialmente (5%) ou totalmente (9%) com a firmação de que as comprar acalmam ou os deixam menos tristes. Em Curitiba, a porcentagem de consumidor que concordam totalmente com a afirmação é de 12% (outros 2% concordaram parcialmente com a frase).
No geral, a pesquisa mostra que o brasileiro está consumindo mais. Em 2002 pelo menos 60% dos consumidores do país iam às compras todo mês. Hoje esse índice é de 67%. Ainda assim o Brasil fica atrás do México, cuja 68% da população faz compras pessoais todos os meses e do Peru, que tem 69% de consumidores ativos.
Preço alto afasta consumidores
Curitiba - Consumidores curitibanos entrevistados pela FOLHA não concordam com os resultados da pesquisa Ibope Mídia. Com a crise econômica que assola o mundo e o aumento dos preços, o momento é de cautela e cuidado na hora de colocar a mão do bolso. Comprar, só se for essencial. É a essa a opinião da dona de casa Anamir Lima. Está tudo muito caro, reclama.
Anamir diz que não faz muitas compras durante o mês. Em geral gasto só no mercado, conta. Mas como a filha dela, Andressa, está perto de dar a luz ao primeiro filho, a família tem investido na aquisição do enxoval. Está quase pronto, avisa. Roupas, móveis e outros acessórios são os principais itens comprados nos últimos meses. Mas não está sobrando dinheiro para outras compras. Não tenho comprado roupas nem para mim nem para os filhos, diz. Anamir tem outros três filhos.
O cozinheiro Willian Dutra da Costa conta que sempre reserva uma parte do salário do mês para gastar em roupas, sapatos e outros itens de consumo pessoal. Compro sempre que acho algo interessante, conta. Costa diz que o que o afasta das lojas é o preço alto. As coisas estão caras então fica mais difícil comprar mais, reclama.
Já Andréia Silveira, que é fisioterapeuta, diz que nunca faz muitas compras. Quando a gente precisa de um presente faz um esforço para ir comprar, mas em geral não tenho tempo para passear no centro, nem ir em shopping, explica. Mãe de dois filhos, Andréia relata que o preço alto inviabiliza gastos mais altos. O dinheiro não está sobrando. Então gastamos só o essencial, conclui.


