SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de outubro de 2008
Eli Araujo<br> Reportagem local 
A expressão ''estive em x lugar e me lembrei de você'' pode até parecer pouco criativa, mas resume bem um sentimento que domina boa parte dos turistas. Sempre que viajam em férias, estudos ou eventos, as pessoas reservam um tempo para comprar pequenas lembranças para seus amigos e familiares. A procura maior recai sobre camisetas, artesanatos e outros produtos tipicamente regionais.
Mas um detalhe que chama muito a atenção de quem visita as cidades turísticas é a grande diferença de preços da mesma mercadoria, dependendo do ponto de venda. Uma camiseta, por exemplo, que custa R$ 10,00 numa feirinha em Copacabana ou com o vendedor ambulante, pode custar R$ 50,00, ou mais, em uma loja a poucos metros de distância, um acréscimo, portanto, de 400%.
Há poucos dias, um grupo de pessoas de Londrina viajou ao Rio de Janeiro como parte das atividades do Ciclo de Estudos da representação regional da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. E apesar da agenda lotada, foi possível um período para as compras.
A empresária Almary de Almeida Keide assume o perfil de turista consumista ''Compro pequenos mimos, tais como camisetas, copos, caixinhas e outras coisas para enfeitar a casa''. Ela diz que prefere pesquisar os preços antes das compras em outras cidades, o que nem sempre é possível. ''Quando a hora começa a apertar, a gente precisa correr um pouco mais para dar tempo de fazer as compras''. Almary acredita que algumas lojas, sabendo que o tempo é curto, vendem seus produtos bem mais caros para os turistas.
O funcionário público José Carlos Salvador observou bem os preços nas lojas antes de procurar um presente para a esposa e concluiu que a diferença é muito grande de um lugar para outro. ''Não costumo viajar muito, mas tem lojas em que os preços estão fora da realidade em comparação com o nosso mercado'', afirma em referência a Londrina. Por isso, ele faz questão de pesquisar preços antes de ir às compras. ''Quando a gente vai para outra cidade, tem que se informar bem com as pessoas que são da comunidade mesmo''. Ele, que se considera ''pão duro'', constatou uma diferença de preço de até quatro vezes entre produtos similares e em locais bem próximos. De tanto pesquisar, Salvador comprou o presente que procurava a um preço bem acessível em uma boutique.
A artista visual Gisele Cabrera tem uma paixão toda especial por chaveiros. E na visita que a turma de estagiários fez à Base Aérea de Santa Cruz, a 70 quilômetros do Rio de Janeiro, ela não perdeu a oportunidade de comprar alguns daqueles brindes para aumentar a sua coleção. O hobby de Gisele começou há 10 anos e hoje ela tem um acervo com mais de 600 unidades, sendo que uma boa parte foi presente que amigos trouxeram de outras cidades ou países.
Nesta viagem de estudos, Gisele também comprou seis camisetas para ela e suas irmãs, mas notou uma grande diferença de preços entre produtos similares e em lugares bem próximos. ''Acho interessante comprar coisas dos locais que visito, mas procuro o que é de boa qualidade e não muito caro''. Segundo ela, a pesquisa é a melhor forma para o turista não ser explorado. A artista disse que não teve tempo de fazer pesquisas, mas observou que não havia tanta diferença de preços em comparação com outra viagem que fez anteriormente.
Satisfação na compra exige alguns cuidados
O professor de turismo Alexandre Campinha recomenda que as pessoas tomem alguns cuidados na hora da compra para evitar principalmente os problemas legais e de transporte. Ele sugere que os turistas evitem produtos volumosos, que são difíceis de serem acomodados; produtos frágeis, tais como porcelanas, vidros ou embalagens com líquidos, e também alimentos perecíveis.
Campinha reconhece que os produtos vendidos para turistas geralmente custam um pouco mais caros e aponta que um dos motivos para isso é a comissão que as lojas repassam aos guias locais. Para fugir dos preços altos, ele diz que a única saída é o turista fazer pesquisa de preços antes de comprar o que deseja.
O professor afirma ainda que as agências de turismo, de maneira geral, não fazem recomendações específicas sobre o que as pessoas podem ou não comprar quando participam de alguma viagem, sozinhas ou em grupo. A única recomendação neste sentido é quanto ao valor das mercadorias que o turista pode transportar. Segundo ele, nas viagens para outros países a franquia é de
US$ 500,00 para as compras e até US$ 500,00 para as compras somente no aeroporto. Acima disso, pode se caracterizar contra-bando, explica.
O professor reconhece que, mesmo havendo exploração de preços, em alguns lugares, o turismo é uma forma de valorização da cultura local e também uma forma de integração entre as pessoas.


